Entrelinhas

Entrelinha


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• Primeira prova

A Câmara Municipal de Bauru passou ontem pelo difícil teste de conduzir quatro de seus próprios membros a responder com a possível perda de seus mandatos por acusações de irregularidades. Tudo com o tempero amargo de uma fita que causou indignação ao mostrar terríveis articulações nos subterrâneos do caso.

• Não-autorizado

A sessão de ontem à tarde foi uma das mais constrangedoras e tensas já vistas nos últimos tempos, pois foi agravada pelo uso não-autorizado dos nomes de inúmeros parlamentares, através de Santana, que pôs muitos deles em suspeição perante a opinião pública, em diálogo gravado por Osvaldo Paquito.

• Fita escancara

Antecipamos na edição de ontem que havia uma fita, uma vez que a editoria de política do JC verificou, no sábado e no domingo, o desespero de última hora que tomara conta de quem estava com a água batendo na altura do pescoço. Na página 4 de hoje, os trechos mais importantes do diálogo revelam um pouco do que ocorre nestas ocasiões e comprometem ainda mais a situação do vereador Santana, que também pode ir à Comissão de Ética do Legislativo.

• Indignação

Os parlamentares citados na conversa gravada entre Paquito e Santana e mesmo os que não foram diretamente citados se indignaram com a atitude do vereador do PV e contestaram o teor das afirmações. Sem desmentir a defesa dos colegas ofendidos, Santana usou a tribuna para pedir perdão e fazer uma articulada defesa do uso do carro oficial que o levou à Processante. O ex-presidente da Casa, Walter Costa, rebateu os argumentos de Santana.

• Sem marmelada

Num balanço preliminar do que se verificou até ontem na Casa de Leis, pode-se dizer que não houve marmelada nos processos até agora. Tudo o que foi denunciado está sendo levado a julgamento. Talvez justamente por movimentos como a CUT, entre outros, terem se “armado” de pizzas e de marmeladas para dizer não a acomodações, com defenderam alguns setores.

• Fortalecimento

Agora é aguardar o desenrolar dos fatos e esgotar com os envolvidos o democrático direito de defesa, assim como o de denúncia. O Legislativo pode sair dessa ainda mais fortalecido do que na última vez que teve de “excomungar” um integrante de suas fileiras, no final dos anos 90, como bem frisou o vereador José Carlos Batata, autor, na época, das denúncias.

• Pedidos de CP

Vale ressaltar que os pedidos de instalação de Comissão Processante (CP) para os vereadores Roberto Bueno, Walter Costa e Osvaldo Paquito serão votados só na próxima sessão da Câmara. O único pedido de CP aprovado ontem à tarde, em definitivo, foi o do presidente do Fórum de Discussões de Bauru, César Ferreira, para José Humberto Santana.

• Leitoa gordurosa

A sessão também teve lances de ironia, como a veemente fala do vereador João Parreira, que lançou mão de seu tradicional humor ferino para justificar a citação de seu nome no diálogo entre Paquito e Santana. “Ele (Santana) deve ter comido no almoço de ontem (domingo) uma leitoa dessas bem gordurosas e depois, dormiu e sonhou...”, comentou, arrancando risos de quem assistia à sessão.

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