Sem recursos, a Prefeitura de Bauru não terá tempo hábil para iniciar, executar e concluir as obras da barragem de contenção de águas no Parque Vitória Régia até o início da próxima temporada das chuvas, prevista para o final de deste ano e início de 2004. Assim, a população de Bauru terá de esperar algum tempo para solucionar o problema de inundações da avenida Nações Unidas em dias de temporal.
A Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) dispõe de um estudo para conter o problema de inundação na Nações Unidas, mas depende de recursos federais para realizá-lo.
De acordo com a responsável pela pasta, Maria Helena Rigitano, o projeto sobre a barragem apresentado pela empresa Argos S/C Ltda, em novembro do ano passado, despenderia R$ 12 milhões se fosse efetivado integralmente a fim de conter o problema de inundação da avenida.
Porém, segundo ela, com R$ 2,5 milhões já seria possível realizar parte da obra, o que também traria alívio aos usuários da via pública.
Os trabalhos poderiam iniciar a curto prazo se os R$ 40 milhões inclusos no Orçamento da União deste ano e que serão destinados a Bauru e outros municípios da região, fossem liberados.
Com o auxílio da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) em Brasília, as prefeituras conseguiram incluir o montante orçamento, porém não sabem quando terão acesso a ele ou se o total foi reduzido devido ao corte de R$ 14,1 bilhões anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há dez dias.
“Ainda não sabemos se o corte atingiu a verba, nem para qual ministério ela foi destinada. Como o governo assumiu recentemente e ainda está tomando pé da situação, faremos os primeiros contatos para levantar informações sobre o recurso na segunda quinzena de marçoâ€, informa o chefe do Gabinete, Antonio Sérgio Marsola.
Segundo ele, a prefeitura de Bauru vai contar com articulações políticas das bancadas do PPS (mesmo partido do prefeito Nilson Costa), do PC do B e do próprio PT, para tentar liberar a verba. As mesmas legendas conseguiram que a reivindicação de R$ 40 milhões constasse das previsões orçamentárias do novo governo.
“Ainda não temos previsão de quando poderemos contar com o dinheiro. Caso ele demore para sair, vamos estudar como iniciar obras com recursos próprios. Vários pontos críticos do município durante as chuvas serão atacados. Antes, por exemplo, a Nações demorava mais para escoar a águaâ€, defende Marsola.
Paliativo
Rigitano concorda com ele, contudo está estudando uma maneira paliativa para iniciar a execução das obras. Se ela contasse com R$ 2,5 milhões, instalaria galerias em trechos estratégicos para dirigir a água que cai na avenida ao Parque Vitória Régia.
“Colocaria grelhas para captar água da chuva em ruas como a Capitão Gomes Duarte, Silvio Marchioni, Henrique Savi e na própria Nações Unidas. Simultaneamente, readequaria o parque para transformá-lo numa barragemâ€, explica a secretária.
Na opinião dela, caso o recurso fosse disponibilizado, o projeto paliativo levaria pouco menos de um ano para ser implementado. Já com os R$ 12 milhões, seria possível instalar 65 quilômetros de rede de até 80 centímetros de diâmetro, além das bocas-de-lobo, se a prefeitura assumisse o trabalho.
“Entretanto, mesmo que contássemos com os R$ 12 milhões, ainda dependeríamos do projeto paisagístico da barragem do Parque Vitória Régia, que ainda não foi contratado e apresentadoâ€, ressalta.
Por essa razão e devido à carência de recursos, ela e o colega Marsola confirmam a impossibilidade da conclusão da obra para o próximo período de chuvas.
“Bauru vai ter de se adaptar a essa realidade porque não se sabe quando nem como a verba será liberada pelo governo federal. Evitar a Nações em dias de chuva e não jogar lixo na rua são maneiras de conviver, mesmo que não amistosamente, com o problemaâ€, conclui o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.
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Projeto
Depois de ser contratada pela Prefeitura de Bauru, a empresa Argos S/C Ltda concluiu em novembro do ano passado um estudo para acabar com o problema de inundação da avenida Nações Unidas. A idéia prevê a inundação do Parque Vitória Régia.
O projeto recomenda a construção de uma estrutura ao lado esquerdo do Parque (para quem entra pela esquerda do anfiteatro), que represará a água da chuva que desce da avenida e das ruas adjacentes.
Quando a obra for concluída e a precipitação for grande, o palco do anfiteatro, alguns degraus da arquibancada, os lagos e parte da área verde permanecerão debaixo d’ água por algumas horas.
Para tanto, será necessária a implantação de galerias nos bairros vizinhos à avenida.