Economia & Negócios

Pára-raios não garantem segurança, diz professor

Da Redação
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As chuvas estão castigando Bauru e causando cada vez mais contratempos à população. Um dos grandes problemas nessa época é a numerosa descarga de raios na cidade. E como não é possível prever quando um deles cairá, a solução é proteger sua casa ou empresa com os pára-raios. Contudo, nem sempre eles são suficientes para evitar as conseqüências de uma descarga intensa.

A afirmação é do professor José Cagnon, do Departamento de Engenharia Elétrica da Unesp-Bauru. Segundo ele, os pára-raios são dispositivos feitos com metal de boa condução de energia elétrica, em geral o cobre, e que servem para atrair o raio e conduzi-lo ao solo, onde fica o sistema de aterramento que dissipa a energia.

Existem dois tipos de equipamentos para isolar as descargas atmosféricas: os pára-raios comuns e as gaiolas de Faraday, que suportam uma descarga maior e normalmente são utilizadas por grandes empresas.

Para que os pára-raios funcionem, devem estar no ponto mais alto da região a ser protegida, segundo o professor. A área de isolamento de um pára-raios corresponde ao diâmetro de três vezes a sua altura. Ou seja, um pára-raios de 20 metros de altura atua num diâmetro de 60 metros, se todo o sistema estiver funcionando corretamente.

Cagnon afirma, ainda, que “é possível que os raios tenham feito todo o estrago no sistema telefônico da cidade, apesar da alta tecnologia dos equipamentos geralmente utilizados por empresas de telefonia. Nesse caso, a descarga elétrica deve ter sido muito maior do que qualquer sistema isolante poderia agüentar”, analisa o professor.

A Telefonica

Após vários contatos mantidos pela reportagem ontem, durante todo o dia, com a assessoria de imprensa da Telefonica, a diretoria da empresa parece continuar evitando a liberação de informações concretas. Segundo a assessoria, nem mesmo uma previsão para o restabelecimento total do sistema foi informada pela diretoria.

A empresa se limitou a dizer que a extensão dos danos provocados pela descarga atmosférica exigiu a continuação dos trabalhos preventivos, ontem. “Essa ação provoca instabilidades parciais e momentâneas, o que deve continuar ocorrendo ao longo do dia de hoje” (ontem), segundo nota oficial da operadora.

“A Telefonica esclarece que opera com sistemas de contingenciamento e segurança dentro das normas exigidas para evitar interrupções do serviço. No entanto, a situação registrada em Bauru foi absolutamente atípica. A empresa já deu início à perícia técnica para uma avaliação mais abrangente”, encerra a nota.

Ontem, a assessoria da operadora disse que o raio causador dos problemas caiu nas proximidades da central da empresa na av. Duque de Caxias, e não diretamente no pára-raios do prédio.

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