Política

CUT pede ao MP apuração da fita

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Dirigentes e sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) protocolam hoje na Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania representação que solicita “investigação profunda” sobre o conteúdo da fita gravada pelo vereador Osvaldo Paquito (PPS), cujo diálogo com José Humberto Santana (PV) sugere que outros parlamentares também estão envolvidos em irregularidades na Câmara Municipal.

A gravação foi veiculada por Paquito durante seu tempo de tribuna na sessão legislativa de segunda-feira. O teor da conversa entre os dois vereadores provocou indignação nos segmentos organizados da sociedade.

Segundo revelação feita por Santana, dos 21 parlamentares do Poder Legislativo, apenas dois escapariam de investigações mais aprofundadas.

“Nós, sindicalistas, acompanhamos de perto a votação do relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras. Cobramos dos vereadores uma posição clara sobre o assunto. Mas surgiram fatos novos estarrecedores. Essa fita é um terror”, diz o diretor do Sindicato dos Eletricitários, Jesus Garcia.

Ele afirma que é “pensamento único” entre os diretores da CUT e dos sindicatos agregados à entidade de que é necessário uma “rigorosa apuração” do Ministério Público (MP) sobre o conteúdo do diálogo entre Santana e Paquito.

“A Câmara Municipal caiu em descrédito logo após a divulgação dessa fita. Não nos resta outra alternativa a não ser acionar a Promotoria. O diálogo entre Santana e Paquito contém revelações gravíssimas. Achamos que há material suficiente para o Ministério Público agir”, opina.

“Mar de lama”

Para o sindicalista Francisco Wagner Monteiro, diretor do Sinergia, o Poder Legislativo se transformou num “mar de lama”. “A Câmara de Bauru perdeu a sua legitimidade. Daqui para frente, só o Ministério Público poderá investigar até para esclarecer quais os vereadores estão de fora de esquemas de irregularidades”, avalia.

O dirigente sindical diz que a CUT e seus representantes têm cumprido o papel de protestar e exigir punições exemplares aos parlamentares envolvidos em denúncias de irregularidades.

“Exigimos a instalação das Comissões Processantes para os quatro vereadores envolvidos em denúncias (Walter Costa, Roberto Bueno, Osvaldo Paquito e José Humberto Santana). Mas a partir do momento da revelação de que há notícias do envolvimento dos demais, acho, então, que deveria se instalar CEI para todos.”

Monteiro, no entanto, analisa que os parlamentares poderão reforçar o corporativismo após o surgimento de novas denúncias. O sindicalista acredita que poderá até ser firmado um “pacto de silêncio” entre os vereadores para se evitar que o “estrago” atinja proporções que fujam do controle.

“Mas está ficando difícil ir para a frente da Câmara distribuir pizzas e marmeladas. Daqui a pouco, vamos ter que jogar ovos”, prevê.

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