Política

Diretor vê tentativa de distorção da gravação

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 5 min

O diretor da TV Câmara, jornalista Nélson Gonçalves, foi taxativo, ontem, no comentário sobre a origem da gravação veiculada na emissora pelo vereador Osvaldo Paquito (PPS). "O holofote foi apontado para o local da gravação para desviar a atenção sobre o conteúdo. A TV Câmara não vai se prestar a este papel", enfatiza.

Sobre a possiblidade de utilização de equipamento público para a gravação do diálogo entre os colegas Paquito (PPS) e José Humberto Santana (PV), o diretor é enfático. “Não foi utilizado nenhum equipamento da Câmara no episódio”, afirma.

De um lado, o jornalista antecipa que a presidência da Câmara e o próprio vereador Clemente foram informados sobre o fato. “O comentário sobre onde foi feita a gravação e se houve uso de meio público para isso não muda o conteúdo do material. Sobre isso, quem teve o trabalho de buscar a resposta no setor de comunicação já está sabendo que não foi disponibilizado nenhum aparelho da Casa para quem quer que seja”, conta.

De outro lado, foi a gravação que trouxe à tona a tentativa de negociação para livrar um vereador de processo de cassação. “A gravação é de inteira responsabilidade do vereador Paquito. A Diretoria de Comunicação da Câmara não vai se prestar a alimentar suposições de qualquer natureza. Mas em respeito à opinião pública e aos que atuam de forma séria, repito: nenhuma sala ou estrutura do setor foi usada para a gravação feita pelo vereador Paquito”, acrescenta.

O jornalista também comenta sobre sua ida ao prédio do Legislativo no último domingo. “O vereador solicitou a presença deste jornalista, que responde pela TV Câmara e prestou concurso público para isso. Atendi ao seu chamado. Fui consultado sobre qual o meio adequado para a divulgação de uma gravação durante uma sessão e prestei as informações como qualquer profissional o faria”, menciona.

Ele rechaça as tentativas de se dar ao aparelho maior importância que a divulgação do material. “A TV Câmara dá suporte aos pedidos de 21 vereadores e atua na prestação de serviço público. Que fique também claro que não é papel dos seus técnicos discutir se determinado material agrada a A ou B, se uma denúncia gera desconforto a este ou aquele segmento. Recentemente atendemos a um pedido de exibição de gravação feito pelo vereador Santana. Nesta semana, a emissora foi chamada a exibir fita do Paquito. Amanhã poderá ser de outro membro da Casa. Este é o nosso trabalho”, comenta.

Outro foco

Para o diretor da TV, a própria gravação aponta o local onde ela foi feita e não é papel da emissora pública alimentar especulação sobre o uso do material. “Todos têm o direito, e alguns até o dever, de pedir ao presidente da Câmara o relatório do banco de dados informatizado de telefones que registra se foi usado algum aparelho da Casa. Outros devem cuidar de ouvir toda a gravação para discutir o conteúdo. A missão da TV Câmara, porém, é o de informar a todas as tendências políticas e morais sobre o que ocorre na Casa, mesmo que para isso seja necessário atender a um parlamentar em um domingo. E não importa seu partido ou RG”, comenta.

Gonçalves critica a exploração maliciosa sobre o fato. “Como cidadão, como jornalista, não me interessa se a denúncia vai ser distorcida por este ou aquele grupo, sob este ou aquele aspecto. Toda e qualquer denúncia contra a gestão pública deve vir a público, nem que para isso seja necessária a exposição como jornalista, como ocorreu comigo nas denúncias de compras que foram transmitidas na íntegra pela TV Câmara”, menciona.

Ele ressalta o papel da profissão. “A missão de divulgar acusações produzidas entre membros da própria Casa não vai sucumbir a artimanhas. Nem que alguns continuem usando o foco que melhor lhes convém vou mudar o comportamento. Quem construiu uma história de apontar o que está errado deve concentrar as energias na difícil missão de levar tudo ao público, mesmo que seja através da serena TV Câmara”, enfatiza.

O jornalista alerta a sociedade para a necessidade de acompanhar a crise de perto, mas também para a leitura do subproduto da notícia. “Podem enganar alguns por alguns dias, mas não para sempre, aqueles que usam instrumentos pouco honestos para tentar ferir a imagem de quem tem história. O jornalismo não está a serviço desses poucos”, conta.

Sem interferência

Gonçalves lembra que a direção da TV cuidou de não interferir neste processo. “Eu mesmo prestei depoimento duas vezes na CEI, discuti denúncias, divergi sobre compras, fui indagado, discuti superfaturamento, levei informações à Promotoria, li relatório até com bobagens a meu respeito. E nem por isso criei qualquer embaraço para me submeter a uma sindicância para reexplicar casos já apurados. O servidor público deve estar sempre pronto a responder, mas a perguntar também”, alerta.

Ele aponta alguns dos casos em que atuou. "Não publicou quem não quis que a comissão de licitação foi criticada e nenhuma irregularidade foi apontada contra seus trabalhos. Não viu quem não quis que o ágio na compra da perua foi levantado por este diretor, o aparelho no break só não foi comprado por minha intervenção e que cancelei processos para impedir erros. E nem por isso eu fiquei míope. Mas todos viram que publicaram que eu era o envolvido", critica.

Por fim, Gonçalves pontua o seu papel no processo: “Se há divergência ou denúncia entre dois homens públicos, o importante, essencial, é que o público continuará sabendo o que está acontecendo e deve questionar os fatos. Mas isso jamais será feito no meu setor e com o uso de um telefone público. Não é isto que está em jogo”.

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