Economia & Negócios

Comércio da água se une contra ilegais

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Distribuidores de água mineral de Bauru e região estão se unindo para combater a clandestinidade do setor, atualmente estimada entre 30% a 40% do segmento de distribuição e venda do produto. “A gente quer moralizar o mercado”, diz a empresária Ivonete Aparecida da Silva, há oito anos no ramo e secretária da recém-criada Associação de Distribuidores de Água Mineral de Bauru e Região (Adambar).

“A intenção da associação é valorizar o distribuidor de água mineral, que gera emprego, que paga imposto”, declara o presidente da entidade, Osmar Guerreiro Nunes. Segundo ele, não é possível estimar quantas empresas trabalham com água na cidade, o que só será possível com um levantamento que está sendo preparado. Até agora, a Adambar já conta com 16 associados.

De acordo com Ivonete, o principal alvo são aqueles que comercializam água engarrafada fora das normas de armazenamento, como em posto de gasolina ao lado das bombas, em depósitos de gás ou na garagem de casa, com acesso livre a animais domésticos. Além disso, a empresária lembra que há concorrência desleal, já que os clandestinos não têm gastos com impostos.

“O que a gente vê é uma injustiça: há as empresas formais, que atendem todas as normas da Vigilância Sanitária, pagam impostos, e um outro que vende a água a um preço lá embaixo, mas que não atende nenhuma norma, nem tem funcionário e muitas vezes nem tem firma aberta”, reclama Ivonete.

De acordo com o presidente da Adambar, outro objetivo é, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais (Abinam), estabelecer critérios de qualidade para os distribuidores e, em seguida, certificá-los com um selo de qualidade. “Nossa proposta é criar níveis de qualidade da distribuidora”, aponta.

Outra questão se refere à procedência da água. Segundo Nunes, muitas vezes o consumidor está sendo “enganado” ao adquirir água “potável” ao invés de água mineral. A diferença, de acordo com o Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), está na composição química e nas propriedades físico-químicas diferentes das águas comuns - como a água da torneira.

Ainda segundo Nunes, a Adambar pretende criar um “centro de compras” unificado, baixando custos de produtos que sairiam mais caros se comprados por cada empresa em pequenas quantidades, como é o caso do garrafão de 20 litros vazio. “Se a associação compra garrafão para todos, o preço sai bem mais baixo e o custo cai”, diz.

Mercado

Atualmente, o comércio de água mineral está em expansão no País, segundo dados da Abinam. Das 280 indústrias registradas no Brasil, 90% são micro ou pequenas. Até o final do ano, se as temperaturas se mantiverem altas, a entidade espera crescimento de 30% no setor.

Durante o ano de 2002, a Abinam estima que foram produzidos no País mais de 5 bilhões de litros de água mineral. Apenas o Estado de São Paulo é responsável por 40% da produção nacional, o que leva o consumo per capita do paulista a 60 litros por ano. O número é mais de duas vezes maior do que a média nacional (25 litros), mas ainda está abaixo da Espanha, por exemplo, cujo consumo per capita anual é de 150 litros.

A maioria do volume de água mineral comercializada no País - cerca de 60% - é revendida em garrafões de 20 litros, cujo valor em Bauru está, em média, a R$ 4,00 com entrega em domicílio.

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