Bairros

Só barragem não resolve

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Só a instalação de uma barragem no Parque Vitória Régia não resolveria o problema de inundação da avenida Nações Unidas durante as chuvas. Essa é a opinião do coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, compartilhada pelo vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros, Marcos Wanderley Ferreira. Eles apostam na instalação de cisternas em prédios e estabelecimentos comerciais como alternativa para as inundações.

“Dependendo do tamanho, até as casas deveriam dispor de um sistema de captação de água. Depois, a mesma água poderia ser utilizada para lavar um quintal”, explica Brito.

Pensa da mesma maneira o engenheiro Ferreira, que defende uma legislação para disciplinar a captação de água. Na opinião dele, o uso de cisternas ajudariam na contenção da água, que, após o período de chuva, poderia até ser dispensada.

A idéia chegou a ser avaliada pela secretária municipal de Planejamento (Seplan), Maria Helena Rigitano. Segundo ela, a proposta ainda está em estudo porque é complicado obrigar que os proprietários de imóveis já existentes instalassem agora uma caixa d’água de grandes dimensões.

“Além disso, não teríamos como fiscalizar a utilização das mesmas”, completa, reafirmando que, por essa razão, especialistas no assunto desconsideram iniciativas da mesma natureza. Mesmo assim, é atribuído aos novos legisladores a responsabilidade de instalar sistema de captação de água.

Recomendação

As recomendações dos técnicos vão além. Para Brito, as galerias de água pluvial da avenida Nações Unidas deveriam receber manutenção.

“A barragem que deve ser construída no Parque Vitória Régia alivia o problema de inundação, mas não o resolve. A lógica indica que as galerias devem estar obstruídas. Como a Nações não dispõe de poços de visita, não dá para saber que tipo de material a entope. Mas o rio Bauru recebe até placa de concreto”, comenta o coordenador da Defesa Civil.

Por sua vez, Ferreira não acredita que a falta de poços de visita agrave a situação da avenida e prejudique ainda mais a vazão da água devido à falta de ventilação, conforme defende o ex-secretário das Administrações Regionais (Serar), Celso Donizete.

“A entrada de ar é estudada em rede de esgoto, que contém gases, não numa rede de água. O problema da Nações não é maior por isso”, explica.

Assim como Rigitano, na opinião dele a força d’água é suficiente para limpar as galerias.

Barragem

Após contratar um estudo da empresa Argos S/C Ltda, a prefeitura de Bauru concluiu pela instalação de uma barragem no Parque Vitória Régia para resolver o problema de inundação na avenida Nações Unidas.

O projeto prevê a instalação de galeria de águas pluviais nos bairros vizinhos à avenida. Assim, a água da chuva seria direcionada para o parque, que ficaria parcialmente submerso em dias de chuva forte.

Com o represamento da água, o palco do anfiteatro, alguns degraus da arquibancada, os lagos e parte da área verde permaneceriam por algumas horas debaixo d’água.

Contudo, conforme matéria publicada ontem pelo JC, a obra só será executada com a destinação de recursos financeiros por parte do governo federal. A verba não têm previsão para chegar. Até a temporada de chuvas do próximo ano, a situação da avenida deve permanecer igual.

Comentários

Comentários