Não é a fome e nem a pena de morte. O Brasil teima em atirar no anão atrevido/capenga, e em virar as costas para o gigante furioso e antropofágico. Não, não é o Brasil, são nossas autoridades e nós mesmos. É a velha e não resolvida questão do essencial e do prioritário. E a aids não é o inimigo máximo de nossa sociedade, em que pese todas as tentativas da mídia para colocá-la como o terror e o carrasco de nossas vidas e de nossos jovens. Com que objetivo e porque tanta celeuma, não se sabe e tudo se oculta.
Toda a parafernália na imprensa e o ti-ti-ti nos meios de comunicação em torno da aids (sem nenhuma dúvida, mal vinda e maldita doença) me fazem lembrar, e entristecer, pelo muito dinheiro gasto e pelos poucos resultados palpáveis, a questão urgentíssima do álcool e das drogas em todo o país. Deve o leitor pegar uma máquina de calcular e ver a quantas andam os rios e rios de dinheiros gastos com as conseqüências destes dois males apocalípticos; dinheiro que sai do bolso raso e anêmico do contribuinte. Dinheiro só para tapar buracos, que poderiam ser evitados. Honestamente, se pensar muito dá vontade de mandar às favas, não dá? É muito dinheiro indo para o ralo, para bancar a deficiência crônica da vontade política de solucionar o problemas, na raiz e no cerne. Todas as cidades e vilas deste país estão atacadas e infestadas pelo alcoolismo e pelas drogas. Milhões de vítimas passivas e milhares de vítimas assassinadas pela violência e fúria destas duas enfermidades malignas. E querem colocar a aids como o bicho-papão do século. Não é, e nem nunca será. É apenas uma doença que cresce e espalha, na medida em que o alcoolismo e as drogas avançam, destruindo as pessoas. Sem esse pano de fundo, a aids não passa de uma virose perigosa, plenamente evitável. O assunto é para meditar fundo, leitor. É muita grana rolando para os bolsos de alguns privilegiados, incluindo aqui a indústria das camisinhas; numa campanha maciça diuturna e noturna, impondo o clima da peste negra na Europa medieval, com a morte chegando em todos os lares; alarmando a via sexual dos inocentes e felizes; num crescendo tal e tamanho que todo mundo terá aids mais cedo ou mais tarde. Evidente (e lógico) que a questão desta doença terrível e aflitiva deve ser conduzida com seriedade e respeito, e com boas propostas para sua erradicação. Porém, o gigante demoníaco e letal, o inimigo verdadeiro do país, o terror nacional e mundial, o assassino em nossa porta, o carrasco de nossos filhos, o ponto fatal de desequilíbrio, ou melhor dizendo e indigitando, o palpável e cruento anti-Cristo é a droga, seja maconha, seja o álcool muito livre (êta campanhas massacrantes das cervejas, hein?), seja cocaína, crack e tantos outro venenos fulminantes. É aqui que está nosso verdadeiro e enlouquecido inimigo, leitor. É aqui que está a questão prioritária e essencial para nossa sociedade. Ou derrotamos a droga e o álcool livre ou seremos derrotados, sem nenhuma piedade, por eles.
Se o contribuinte vira as costas, o mal aumenta e devasta. Nosso desinteresse coroará a vitória do inimigo da família e da civilização. Que Deus nos acorde a tempo, para que fiquemos responsavelmente livres do gosto amargo e pecaminoso da omissão! (O autor, Renzo Sansoni, é médico em Uberlândia/MG)