Os suplentes de vereadores Salvador Afonso (PDT), Luiz Roberto Relvas (PDT) e Futaro Sato (PMDB) assumem suas vagas na segunda-feira pregando moralidade na Câmara Municipal. Eles vão substituir Renato Purini (PV), Pastor Luiz (PL) e Rodrigo Agostinho (PMDB), membros da Mesa Diretora, responsável pelos pedidos de Comissões Processantes (CPs) para os vereadores Walter Costa (PPS), Roberto Bueno (PTB) e Osvaldo Paquito (PPS).
Na condição de denunciantes, Purini, Pastor Luiz e Agostinho estão impedidos de participar do processo de discussão e votação das CPs, que vai ocorrer na reunião de segunda-feira. A situação vai se repetir na votação final do processo, oportunidade em que será decidida a cassação dos parlamentares ou o arquivamento das denúncias.
Afonso, Relvas e Sato são ex-vereadores e conhecem os trâmites do Legislativo. Dois deles - Relvas e Sato - participaram das Comissões Processantes que cassaram o mandato do ex-vereador Hélio Pires e do ex-prefeito Antonio Izzo Filho.
Afonso tomou conhecimento anteontem de que foi convocado para votar as CPs dos três parlamentares. Ele estava em sua fazenda, em Araguaína, no Estado do Tocantins. Providenciou uma passagem de avião e chegou ontem à noite em Bauru.
“Tenho todo o final de semana para tomar pé da situaçãoâ€, diz. O pedetista exerceu a função de vereador por 14 anos. “Fico frustrado pelo fato de retornar à Câmara nessas condiçõesâ€, avalia.
Afonso promete que seu voto será “consciente e corretoâ€. “O que é errado, é errado. O que é certo, é certoâ€, profetiza. “Nós já tivemos problemas no passado e os limpamosâ€, sinaliza.
Para o suplente, o parlamentar não tem direito de errar. “Nós mexemos com o dinheiro do povo. E o dinheiro do povo tem que ser aplicado em benefício deleâ€, prega.
“Tristezaâ€
O professor Luiz Roberto Relvas recebeu a notificação para comparecer à Câmara na segunda-feira com “tristezaâ€. “Aceito a incumbência com naturalidade, na condição de cidadão e suplente de vereador que sou. Mas o quadro é de tristezaâ€, avalia.
Ele lembra que na legislatura de 1997 a 2000, o Poder Legislativo conquistou seu lugar na história política da cidade ao cassar o ex-vereador Hélio Pires e o ex-prefeito Izzo Filho. “Não precisávamos mais estar passando novamente por issoâ€, comenta.
Relvas diz que vai analisar toda a situação envolvendo os vereadores Walter Costa, Roberto Bueno e Osvaldo Paquito. “Eu não estava na cidade na última segunda-feira, mas gravei a sessão legislativa para poder acompanhar o desenrolar dos fatosâ€, conta.
Parlamentar que já cumpriu três mandatos consecutivos, Futaro Sato, a exemplo de Afonso e Relvas, lamenta voltar ao Poder Legislativo, na condição de suplente, em pleno clima de convulsão.
“A Câmara é uma instituição que tem por objetivo fiscalizar o Executivo, mas agora está investigando a si própriaâ€, expõe. Para o peemedebista, o Legislativo “piorou†nos últimos anos.
â€œÉ só ouvir as conversas nos supermercados, nos postos de combustíveis, nos mais diversos lugares. O que a gente mais ouve é que ninguém na Câmara se salvaâ€, relata.
Sato presidiu a Comissão Processante instalada pela Câmara para cassar o mandato de Izzo Filho. Também participou como membro da CP que culminou na cassação de Hélio Pires.