Uma família que morava debaixo de um viaduto no km 341 da rodovia Marechal Rondon, em Bauru, decidiu iniciar ontem de manhã uma viagem de cerca de 350 quilômetros, rumo à São Paulo, com dois carrinhos de mão.
A família, integrada por quatro pessoas - a mãe Helena Fernandes de Moraes, 66 anos, o filho Osvaldo, 34 anos, a filha Aparecida, 35 anos, e seu marido Pedro Bernardo da Cruz, 39 anos - afirma que a atitude foi movida pelo desespero.
Segundo Helena, eles teriam sido expulsos por policiais militares e não teriam mais onde morar. A Polícia Militar nega a informação.
“Nós estamos na rua, nós não temos mais lugar para morarâ€, lamenta Helena.
Osvaldo afirma que o motivo principal da decisão de ir para São Paulo é a falta de moradia e de trabalho. “A gente não tem casa. A gente queria arrumar uma casa aqui, mas não consegue, então a gente vai para São Paulo tentar um serviçoâ€, relata. Pedro também partilha da mesma esperança: “eu estou desesperado por um emprego.â€
Osvaldo conta que a família vivia há quatro anos debaixo do viaduto. Na cidade, ganhava o sustento catando papelão e latinhas.
Segundo ele, a família teve durante muitos anos uma vida nômade e já percorreu a pé vários pontos do País, como o Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Aparecida afirma que se criou na estrada e que durante as viagens, a família já foi muito humilhada. “Nós chegávamos em um lugar e nos expulsavam, entrávamos na rua e diziam que não podia entrar no centro da cidadeâ€, relata.
Segundo Osvaldo a família é de Maringá (PR), mas viveu durante 20 anos em Bauru, tendo inclusive passagens pelo albergue da cidade. “Só que no vai-e-vem. A gente fica um mês, três, seis meses aqui, aí pára debaixo do viaduto, não consegue arrumar nada e se manda de novoâ€.
A mãe Helena, visivelmente abalada com a necessidade de mudança, dizia não saber se agüentaria a viagem. “Eu tive derrame duas vezes. Está doendo minha perna, e eu tenho um calo debaixo do pé que eu não posso andar. Mas eu vou andandoâ€, afirma.
O que restou
Na carriola, a família levava o pouco que sobrou de sua história na cidade: colchões, fogareiro, panela, roupas, comida, quatro cachorros e uma dose de esperança. “Meu sonho é ter uma casa, arrumar um emprego e ter uma vida melhorâ€, desabafa Osvaldo.
Debaixo do viaduto, no local onde a família morava, o fogo de origem desconhecida consumia aquilo que restou.
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Filha desaparecida
Aparecida afirma ter uma filha de 2 anos que foi encaminhada à adoção, depois que seu ex-marido teria sido denunciado por tentativa de abusado sexual. Hoje, segundo ela, a menina vive em Bauru e tem 5 anos. Osvaldo afirma que procurou saber do paradeiro da sobrinha, mas até hoje não obteve resposta. “Eu queria saber com quem ela está, se está com família boa, porque com a gente ela não passava fomeâ€, afirma.