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A pé, família se muda para São Paulo

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma família que morava debaixo de um viaduto no km 341 da rodovia Marechal Rondon, em Bauru, decidiu iniciar ontem de manhã uma viagem de cerca de 350 quilômetros, rumo à São Paulo, com dois carrinhos de mão.

A família, integrada por quatro pessoas - a mãe Helena Fernandes de Moraes, 66 anos, o filho Osvaldo, 34 anos, a filha Aparecida, 35 anos, e seu marido Pedro Bernardo da Cruz, 39 anos - afirma que a atitude foi movida pelo desespero.

Segundo Helena, eles teriam sido expulsos por policiais militares e não teriam mais onde morar. A Polícia Militar nega a informação.

“Nós estamos na rua, nós não temos mais lugar para morar”, lamenta Helena.

Osvaldo afirma que o motivo principal da decisão de ir para São Paulo é a falta de moradia e de trabalho. “A gente não tem casa. A gente queria arrumar uma casa aqui, mas não consegue, então a gente vai para São Paulo tentar um serviço”, relata. Pedro também partilha da mesma esperança: “eu estou desesperado por um emprego.”

Osvaldo conta que a família vivia há quatro anos debaixo do viaduto. Na cidade, ganhava o sustento catando papelão e latinhas.

Segundo ele, a família teve durante muitos anos uma vida nômade e já percorreu a pé vários pontos do País, como o Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Aparecida afirma que se criou na estrada e que durante as viagens, a família já foi muito humilhada. “Nós chegávamos em um lugar e nos expulsavam, entrávamos na rua e diziam que não podia entrar no centro da cidade”, relata.

Segundo Osvaldo a família é de Maringá (PR), mas viveu durante 20 anos em Bauru, tendo inclusive passagens pelo albergue da cidade. “Só que no vai-e-vem. A gente fica um mês, três, seis meses aqui, aí pára debaixo do viaduto, não consegue arrumar nada e se manda de novo”.

A mãe Helena, visivelmente abalada com a necessidade de mudança, dizia não saber se agüentaria a viagem. “Eu tive derrame duas vezes. Está doendo minha perna, e eu tenho um calo debaixo do pé que eu não posso andar. Mas eu vou andando”, afirma.

O que restou

Na carriola, a família levava o pouco que sobrou de sua história na cidade: colchões, fogareiro, panela, roupas, comida, quatro cachorros e uma dose de esperança. “Meu sonho é ter uma casa, arrumar um emprego e ter uma vida melhor”, desabafa Osvaldo.

Debaixo do viaduto, no local onde a família morava, o fogo de origem desconhecida consumia aquilo que restou.

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Filha desaparecida

Aparecida afirma ter uma filha de 2 anos que foi encaminhada à adoção, depois que seu ex-marido teria sido denunciado por tentativa de abusado sexual. Hoje, segundo ela, a menina vive em Bauru e tem 5 anos. Osvaldo afirma que procurou saber do paradeiro da sobrinha, mas até hoje não obteve resposta. “Eu queria saber com quem ela está, se está com família boa, porque com a gente ela não passava fome”, afirma.

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