A desmedida violência que caracteriza certos confrontos de policiais e traficantes em ruas da Paulicéia, Cidade Maravilhosa e outros extrovertidos centros urbanos nacionais, causa estupefação nos milhões de brasileiros que a têm presenciado através da TV e que, provavelmente, nunca tinham testemunhado tão aterradores conflitos coletivos em vias públicas. Os grupos confrontantes usam e abusam de toda a força bruta que possuem, atacando e contra-atacando a uns e outros com uma renitência profundamente impressionável, trocando tiros com armas sofisticadas e se agredindo com murros e pauladas indefensáveis, numa autêntica luta de vida e de morte. Então, os infelizes espectadores não conseguem deixar de tirar das terríveis cenas a triste ilação de que o País vive momentos muito mais sérios do que imaginam, porque os incidentes, páginas sem dúvida escuras de nossa história, provam que o cenário patrício está eivado de segmentos perceptivelmente propensos a desbarrancar, com barricadas nas ruas, os verdadeiros caminhos da tranqüilidade e da justiça sociais que a população merece. Diga-se, então, que vêm por aí mais confrontos, outros espetáculos deprimentes, de policiais tentando superar crimes e mais crimes e sendo obstaculizados, o que é inadmissível na democracia e na contextura de um povo como o nosso, tradicionalmente pacífico e prudente nas situações mais anômalas que se conheçam. O crime organizado tende, assim, a arrastar a Nação a uma infelicidade total, pois denota ter perdido todo respeito para com as autoridades constituídas e com as leis a que teria o dever de acolher e assegurar para o bem de todos. A desobediência aos preceitos legais está, portanto, se disseminando fronteiras afora, tomando campo principalmente nas periferias inóspitas, onde estabelecem a cizânia com todo o seu séquito de nocividades, prometendo a implantação de autênticas praças de guerra nas cidades, que certamente levarão as sociedades a um caudal inestancável de insegurança e intranqüilidade. Não pode o Governo perder o controle do respeito que lhe devem os traficantes, assaltantes e “companhia belaâ€, precisando voltar-se urgentemente para sua capacitação como autoridade, a qual precisa prevalecer e sobrepairar também sobre a incidência que está ocorrendo sobre crimes e atentados à família, no momento em que se notam repetitivamente pais e filhos se digladiando de forma brutal. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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