Os 260 funcionários que trabalhavam numa empreiteira que prestava serviços de telecomunicação para a Telefonica e que foram demitidos em fevereiro de 2002 estão até hoje sem receber os encargos trabalhistas.
Segundo o diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesa Telefônica do Estado de São Paulo (Sintetel), Jorge Luiz Xavier, esses trabalhadores ainda têm mais de R$ 345 mil para receber, ao todo.
O sindicato informou que há R$ 260 mil em trâmite jurídico na 25ª Vara Cível de São Paulo retidos por questão processual. O problema é que a empreiteira também devia dinheiro a uma outra empresa. Mas o sindicato da categoria entrou com ação judicial para conseguir, perante a lei, prioridade para os trabalhadores.
Segundo José Maria Rosa Regagnan, diretor da empresa contratada pela Telefonica, há um valor de R$ 420 mil para repassar aos funcionários. Desses, R$ 260 mil estão retidos na 25ª Vara Cível de São Paulo e os R$ 160 mil restantes ainda não teriam sido recebidos da contratante.
O diretor do sindicato diz que há uma conta bancária aqui em Bauru para a qual esses R$ 160 mil sejam encaminhados e repassados aos funcionários da empresa. Mas a entidade ainda está aguardando a resposta de um pedido de fiscalização feito ao Ministério do Trabalho para verificar se há mesmo esta quantia para receber.
Do total de funcionários, alguns já receberam uma parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) que estava depositado no banco e o seguro desemprego.
O sindicato informou que o processo está em andamento desde fevereiro de 2002 e que não há mais nada a ser feito além de esperar a liberação do dinheiro pelo juiz da 25ª Vara Cível de São Paulo.
O digitador André Luiz Sant’Ana Novelli, 21 anos, é um dos ex-funcionários da empresa afetados por esse problema. Ele trabalhou para a empreiteira por mais de um ano, e no dia da rescisão contratual recebeu um cheque de aproximadamente R$ 700,00, pré-datado e sem fundos.
Atualmente André sofre de tendinite, doença que alega ter contraído durante o trabalho na empresa, a qual não teria pago a ele nem os encargos trabalhistas de rescisão de contrato, muito menos uma indenização por doença adquirida no trabalho.
A ex-funcionária Sandra Mara Volpato, auxiliar administrativa, 25 anos, trabalhou na empresa de agosto de 2001 até o início de março de 2002. Ela alega não ter recebido o último salário e nenhum encargo trabalhista pela demissão.
“Tive que depender da ajuda de parentes e amigos para sobreviver, até arrumar outro empregoâ€, conta.
Em contato com a reportagem, a assessoria de imprensa da Telefonica informou que os R$ 160 mil restantes que eram devidos à empreiteira foram depositados em Juízo no início da semana passada. Com isso, a operadora não teria mais nenhuma pendência financeira com a prestadora de serviços de telecomunicação.