Geral

Maioria das casas visitadas tem Aedes

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O Departamento de Saúde Coletiva (DSC), através do Núcleo de Controle de Vetores, confirmou ontem três novos casos importados de dengue, elevando para dez o número de doentes na cidade. Isso significa, segundo a diretora do DSV, Maria Helena Abreu, que já há uma epidemia de dengue na cidade, provocada especialmente pela falta de conscientização da população. As equipes que atuam no Programa de Combate à Dengue constataram que 70% das casas visitadas apresentam larvas do mosquito Aedes aegypti.

O número é considerado absurdo por Maria Helena Abreu, levando em conta o fato de que a cidade vem sendo literalmente atacada pelo Aedes, registrando epidemias de dengue ano após ano e está sujeita à dengue hemorrágica. “Infelizmente, muitas pessoas ainda não se deram conta de que a dengue hemorrágica mata e continuam mantendo criadouros em suas casas”.

Neste início de ano, a situação mais crítica é registrada no Santa Edwirges, Vila Universitária, Vila Ipiranga (onde moram os três doentes confirmados ontem), Vila Falcão e Jardim Rendentor (onde já foram registrados casos da doença). O problema, entretanto, pode se espalhar pela cidade em pouco tempo, já que existem 45 pessoas suspeitas de terem contraído a doença e os trabalhos de busca ativa continuam.

Vilão

Ao contrário do que se imagina, os vasos com plantas são os principais criadouros do Aedes aegypti na cidade. “Conseguimos resolver os problemas dos pneus. Agora, vaso com planta depende exclusivamente do morador da residência”, alerta Maria Helena Abreu.

A diretora do DSV lembra que as larvas do Aedes aguardam o momento oportuno para nascer. “O ovo fica até dois anos sem evoluir e, no calor, com qualquer água ele ganha vida”, afirma.

Até por isso, o trabalho de nebulização não é preventivo, como acreditam algumas pessoas. A nebulização, que vem sendo feita pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) nos bairros onde há confirmação da doença, serve apenas para matar o mosquito adulto. “O trabalho que resolve mesmo o controle da dengue é a eliminação do criadouro”, enfatiza Maria Helena Abreu.

Pelo menos por enquanto, os arrastões estão descartados pelo Departamento de Saúde Coletiva. Maria Helena lembra que foram realizados arrastões em julho, agosto e novembro do ano passado e que, neste momento, a única saída é a eliminação dos criadouros pela população.

____________________

Problema mundial

A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo, de acordo com informações da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), órgão do Ministério da Saúde que monitora as ações de combate à doença em Bauru. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, anualmente, 80 milhões de pessoas contraem dengue em todos os continentes, exceto a Europa. Desses, cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da dengue.

Segundo informações veiculadas no site da Funasa, o mosquito Aedes aegypti encontrou no mundo moderno condições muito favoráveis para uma rápida expansão, pela urbanização acelerada que criou cidades com deficiências de abastecimento de água e de limpeza urbana; pela intensa utilização de materiais não-biodegradáveis, como recipientes descartáveis de plástico e vidro; e pelas mudanças climáticas.

Com essas condições, o mosquito espalhou-se por uma área onde vivem cerca de 3,5 bilhões de pessoas em todo o mundo. Nas Américas, está presente desde os EUA até o Uruguai, com exceção apenas do Canadá e do Chile, por razões climáticas e de altitude.

No Brasil, o Aedes vem encontrando as condições favoráveis de desenvolvimento desde sua reintrodução, em 1976. Programas essencialmente centrados no combate químico, com baixíssima ou nenhuma participação da comunidade têm se mostrado incapazes de conter o avanço da doença.

Neste momento, a preocupação das autoridades em saúde é evitar o avanço da da dengue hemorrágica, a forma mais grave da doença. No Rio, duas pessoas já morreram este ano vítima da doença.

Comentários

Comentários