Proprietários de grandes drogarias de Bauru consultados pela reportagem descartam a possibilidade de aumentos desenfreados em função da liberação dos preços de medicamentos (260 ao todo) que não necessitam de receita médica. Este tem sido o principal temor dos consumidores desde que o governo anunciou a medida, anteontem.
Na opinião do empresário Antônio Augusto Gomes, que dirige uma rede de farmácias na cidade, a iniciativa do governo foi muito inteligente, já que o único segmento que ainda está sujeito ao tabelamento no País é o de medicamentos. Para ele, não há nenhum perigo de conseqüências negativas para o consumidor em termos de preços porque esses produtos já competem no mercado.
“Os medicamentos que tiveram os preços liberados já concorrem entre si há muito tempo. A simples retirada do tabelamento não deve alterar nada em termos de custo final porque a concorrência neste setor é muito forte. Se algum fabricante tentar se aproveitar da medida para subir demais o preço, será engolido pelos concorrentesâ€, avalia Gomes.
Além disso, ele cita que a concorrência entre as farmácias também não vai possibilitar abusos. “Temos cerca de 120 farmácias em Bauru, número duas vezes maior ao que se estima para uma cidade com população em torno de 320 mil habitantes. Por tudo isso, considero a medida inteligente e oportunaâ€, afirma.
De acordo com Gomes, a venda de medicamentos sem receita em suas farmácias corresponde a cerca de 2% a 3% do faturamento mensal. Em termos de quantidade, eles seriam aproximadamente 10% do total disponível aos consumidores.
Sem abusos
Para Álvaro Lima, também empresário do ramo, a medida não veio na hora certa. Contudo, assim como Gomes ele avalia que não haverá explosões de preços, já que os medicamentos liberados teriam no mínimo cinco fabricantes concorrentes.
“Eu considero a medida inoportuna porque grande parte da matéria-prima desses medicamentos é importada. E como todos sabem, não estamos num momento favorável na relação dólar ‘versus’ real. Mas os abusos de preços não devem ocorrer em função da concorrência no setorâ€, analisa Lima.
De acordo com ele, os medicamentos vendidos sem receita correspondem a cerca de 15% do faturamento total em suas farmácias.
Rui Pagano Júnior, proprietário de uma antiga rede de drogarias da cidade, avalia que pouca coisa vai mudar diante do que já ocorre no setor.
“Os medicamentos já estão sendo comercializados a valores muito próximos do preço de custo. Então, se fosse para haver alguma posição protecionista da classe varejista, isso já teria ocorrido. Ou seja, não precisaria haver a liberação dos preços para que essa prática fosse adotadaâ€, aponta.
Para ele, se algum fabricante pensar que poderá tirar proveito da medida, será arrasado pelos concorrentes. “Não há espaço no mercado para margens de lucro faraônicasâ€, afirma Pagano.
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Consumidor está inseguro
A retirada do tabelamento de preços para 260 medicamentos que podem ser comercializados sem receita médica está deixando muitos consumidores apreensivos. Eles temem os resultados práticos da medida, como um abuso da liberação e aumento demasiado no custo final desses produtos.
A doméstica Eloani Mara Aparecido diz estar preocupada com a medida, temendo aumentos de preços e “formação de cartel†no setor.
“Eu acho que essa liberação vai ser ruim para a população, porque a meu ver, os preços de venda dos remédios podem aumentar. Acho que pode acontecer o que já ocorre com os postos de gasolina, que fazem cartel, combinam os preços e o consumidor fica sem opçãoâ€, opina.
A dona-de-casa Márcia Gobi tem uma opinião parecida. “Acho a idéia muito boa, mas tenho medo de que na prática não funcione. Pode ser que os fabricantes se unam em algum tipo de acordo para oferecer preços semelhantes e altos. Por outro lado, se isso não acontecer acho que a concorrência pode gerar bons resultados para nósâ€, diz.