Bairros

Escolas levam Carnaval aos bairros

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Sem recursos para promover os tradicionais desfiles de Carnaval no Sambódromo, escolas de samba de Bauru estão juntando esforços e retalhos de festas passadas para realizar o evento em bairros da cidade.

Um sentimento semelhante ao drama de 2002 se repete. Pelo segundo ano consecutivo, a Prefeitura de Bauru suspendeu os repasses destinados à grande festa do Sambódromo.

Das oito escolas da cidade, cinco decidiram organizar desfiles em seus bairros de origem. Elas contam com a ajuda da comunidade e apoio da prefeitura, que oferecerá a infra-estrutura para os eventos.

De 1 a 4 de março, haverá desfile da Azulão do Morro, no Parque Jaraguá; da Coroa Imperial e Flor de Laranjeira, no Núcleo Geisel; da Mocidade Independente, na Vila Falcão; e da Tradição, no Núcleo Mary Dota .

Cada escola está recebendo um auxílio de R$ 3 mil para compra de tecidos e materiais. A administração municipal também deve disponibilizar caminhão de som, transporte de carros alegóricos e instrumentos e trio elétrico.

O restante fica por conta da boa vontade de cada uma para que a festa não passe em branco. “Não é o mesmo nível que a gente leva ao Sambódromo, mas estamos saindo e evitando que a escola morra”, diz Francisco Saes, presidente da Tradição do Mary Dota.

A escola de samba pretende levar um ou dois carros à avenida Marcos de Paula Raphael, no dia 4 de março, e um total de cerca de 250 pessoas.

Saes afirma que as escolas ganham pouco com promoção de eventos, comparado ao custo dos desfiles. Ele enfatiza que o auxílio oferecido pela prefeitura é ínfimo. “O Carnaval é um produto caro”, salienta.

A Tradição repetirá o samba-enredo de 2000, em que o tema é o arco-íris. Ensaiando há três semanas nas ruas do bairro, uma das principais dificuldades da escola é a falta de quadra.

Novos e reciclados

A Coroa Imperial e a Flor de Laranjeira, ambas originárias do Núcleo Geisel, farão desfile no dia 2 de março, na avenida das Laranjeiras.

â€œÉ para não deixar o povo da comunidade passar o Carnaval em branco”, justifica Avelino de Souza, presidente da Coroa Imperial e da Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec).

A escola mesclará materiais novos e reciclados para ilustrar o enredo que homenageia os sambistas mestre Landinho e Dirceu Dias.

“Se não pudemos fazer no Sambódromo, vamos fazer nos bairros, mas tenho certeza de que o povo vai se divertir”, garante Souza, que espera 200 pessoas no local.

A presidente da Azulão do Morro, Aparecida Brito Caleda, pretende brilhar na avenida Gabriel Rabelo de Andrade, no Parque Jaraguá, com aproximadamente 150 participantes e um carro alegórico.

Com artigos reaproveitados e outros novos, além de materiais arrecadados através de campanha junto à comunidade, a escola de samba vai levar ao público o samba-enredo que tem como tema a paz.

Apesar do improviso e da falta de quadra e barracão, Aparecida acredita que não faltará alegria na avenida. “Culpar a Prefeitura é muito fácil. Não está mais viável bancar tudo”, opina.

Na Mocidade Independente, o desfile começou a ser organizado há poucos dias, por problemas financeiros. “Este ano é uma coisa atípica. É só para não passar em branco. Estamos fazendo um protótipo do que seria um Carnaval real da escola”, explica Jaime da Silva, presidente da escola.

Como os recursos são escassos, vale também para eles o reaproveitamento de adereços de fantasias. Ainda assim, Silva espera levar de 200 a 250 pessoas rua Campos Sales, na Vila Falcão, no dia 3 de março.

Decepcionado com a postura da Prefeitura de Bauru, que não repassou os recursos para que a festa do Sambódromo, o carnavalesco afirma que o samba-enredo falará sobre a história da Mocidade Independente.

“Por que o Carnaval, que é uma festa do povo, não tem subsídio do governo?”, questiona Silva.

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