Era uma pessoa bonita, alegre, gentil, bem educada, dessas que todos que dela se aproximam sentem-se bem e desejam tê-la por amiga. Querida por todos, no seu trabalho, em todas as escolas que estudou, inteligente e bem-sucedida, sempre. E o principal é que tinha para todos uma palavra de encorajamento, de louvor a tudo de bom, incentivando para o bem, até suas críticas eram construtivas. Sabia compreender, tolerar e perdoar. Com o tempo, a vida foi seguindo o seu curso, como faz a todos, e começaram suas perdas e seus revezes e muitas foram realmente as cobranças da vida para essa pessoa tão gentil e encantadora, com perdas terríveis e irreparáveis, desgostos amargos, desilusões, abandonos e toda a corte dos percalços da vida de quem envelhece como sobrevivente, ao invés de morrer na mocidade, antes que a vida cause muitos estragos. Então veio a triste transformação: tornou-se uma pessoa amarga, intolerante, intransigente, incapaz de compreender o outro, incapaz de perdoar, sequer mesmo de ouvir o outro, ouvindo sempre só a si mesma e agindo como se dona da verdade fosse; nem mesmo a amizades tão queridas de outrora dava mais atenção; afastou amigos, enclausurou-se na sua triste e solitária torre de marfim e, com certeza não é mais feliz como foi outrora, quando era pessoa amada e querida por todos... Isto acontece com muitas pessoas que envelhecem além do que elas próprias gostariam, talvez preferindo terem morrido jovens. Mas, felizmente, nem todas pensam e agem assim, existem aquelas que se apoiam em uma fé e compreendem, toleram e perdoam; essas são pessoas bem mais felizes. (Isolina Bresolin Vianna - RG. 3.027.947)
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