Polícia

Duas mortes marcam fim de semana

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

Dois homicídios, uma bala perdida e cinco ocorrências de roubo à mão armada. Esse foi o saldo dos registros policiais no final de semana. Diante dos números, tanto o comando da Polícia Militar (PM) quanto o da Civil classificaram o período entre a noite de sexta-feira e a manhã de segunda-feira como atípico.

Os dois casos mais graves ocorreram ontem, um no Jardim Altinópolis, próximo à avenida Duque de Caxias, e outro no Parque Santa Cândida.

A ocorrência de homicídio na periferia foi registrada ontem pela manhã por PMs que chegaram até a quadra 2 da rua João Fendel, após receberem uma denúncia por telefone. Adriano Carlos Ruys Chicalé, conhecido por Fofinho, foi encontrado morto com ferimentos à bala na região da cabeça.

Como o laudo do Instituto Médico Legal (IML) - para onde o corpo foi encaminhado - não havia sido concluído até à tarde de ontem, policiais civis não souberam informar quantos projéteis acertaram a vítima.

Moradores da região informaram à polícia que ouviram disparos por volta das 2h da madrugada e que localizaram Fofinho somente pela manhã, já sem vida. A vítima tinha passagens pela polícia.

Já o outro rapaz que morreu no Jardim Altinópolis, na quadra 2 da travessa José de Figueiredo, não havia sido identificado até a tarde de ontem, pois não portava documentos. Ele foi alvejado com dois disparos de arma de fogo na região do peito, chegou a ser socorrido no Pronto-Socorro Central (PSC), mas não resistiu.

A polícia foi acionada por uma testemunha que ouviu os tiros por volta das 2h e avistou um homem caído na via pública.

Já Denis Aparecido da Silva, ferido por uma bala na panturrilha esquerda, não conseguiu identificar de onde partiu o tiro. De acordo com o Boletim de Ocorrência, a vítima apenas ouviu o estampido da arma e sentiu sua perna queimar, quando transitava pela quadra 7 da rua Carlos Pereira Bicudo, no Parque Jaraguá, na madrugada de sábado.

Ao passar a mão no local do incômodo, notou que havia sangue. Ele, que responde a processo criminal na comarca de Agudos, foi socorrido por policiais militares.

Roubos

A guarnição da PM também esteve presente na ocorrência de roubo registrado às 19h de domingo, na quadra 5 da avenida Marcos de Paula Raphael, no Núcleo Mary Dota.

No local, um menor aparentando ter entre 14 e 15 anos e com uma das mãos sob a camiseta, mencionando estar armado, roubou R$ 45,00 de um posto de combustível. Ele fugiu a pé em direção ao Núcleo Beija Flor.

Também não foram localizados cinco indivíduos que roubaram R$ 280,00 e dois litros de vinho de um estabelecimento instalado na rua Professor Ayrton Busch, quadra 6, no Parque Jaraguá.

Ele fizeram o assalto no sábado, por volta das 19h, usando capuz e revólveres.

Através de arma de fogo, outros dois elementos roubaram dois videos games da marca Drincast de um ponto comercial localizado no Jardim Alto Alegre, na quadra 6 da rua Ângelo Colacino, na tarde de sábado. Eles fugiram em direção à Vila Garcia.

Escapou da mesma maneira um outro homem armado e encampuzado que levou R$ 40,00 de um bar que fica na quadra 3 da rua São Roque, no Jardim Nova Esperança. O assalto ocorreu nos primeiros minutos do sábado.

Na mesma madrugada, um menor foi rendido por quatro elementos desconhecidos, sendo que um deles portava arma de fogo, em frente a um clube da cidade. Cobraram da vítima, que pediu para ter o nome preservado por razões de segurança, um convite para entrar no local.

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Para polícia, casos estão sob controle

Tanto o comando da Polícia Militar quanto o da Civil classificaram o saldo policial deste final de semana atípico. Para eles, a situação está sob controle, conforme indicam dados estatísticos. Neste ano, foram registrados quatro homicídios em janeiro. O ano passado, no mesmo período, o total não passou de três, indicam cálculos do próprio JC.

Apesar do aumento de 25% em ocorrências desta natureza, o total de roubo permaneceu estável e o de furtos caiu.

“Os dois homicídios chamam a atenção, mas vale destacar que uma das vítimas comprovadamente tinha passagens pela polícia. Continuamos trabalhando para diminuir o índice. O final de semana sempre é mais conturbado porque as pessoas estão de folga e mais suscetíveis à bebida”, lembra o delegado Seccional de Bauru, Antonio Angelo Ciocca.

Pensa de maneira semelhante o comandante do Comando de Policiamento do Interior (CP - 4), coronel Helder Pereira. “Com a proximidade do Carnaval, as pessoas ficam mais abespinhadas. Só neste final de semana prendemos 38 pessoas na área da CPI-4, que engloba 143 cidades. Tem gente cobrando um policial por quarteirão, talvez nem assim resolvêssemos o problema. A delinqüência está correndo solta”, enfatiza.

Na opinião do delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), J.J. Cardia, os dados também denotam a banalização do crime. “As pessoas praticam delitos por razões fúteis, mas tanto faz roubar R$ 1,00 ou um banco. As conseqüências são as mesmas, porém nem sempre a mídia divulga isso”, comenta.

Ele ressalta que a Polícia Civil faz rondas especiais e revistas pessoais justamente para conter o índice de ocorrências policiais e lembra que dos 47 homicídios registrados no ano passado, 44 foram esclarecidos.

O desempenho policial no máximo atenua a preocupação de uma mãe cujo filho foi assaltado no final de semana por quatro elementos, um deles armado, que exigiram um convite para entrar numa festa.

“Sempre que meu filho sai eu fico amedrontada, mas não dá para aprisionar um adolescente dentro de casa. A culpa dessa situação pode ser das mulheres da minha geração, que trocaram a edução dos filhos pela liberdade de trabalhar fora”, diz a mãe.

Para ela, que pediu para não ter o nome divulgado por razões de segurança, imposição de limites, estrutura familiar e religião poderiam reverter a situação.

Já o professor de Ética e Filosofia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do Núcleo pela Tolerância, Clodoaldo Cardoso, vai além. Na opinião dele, o atual modelo de sociedade está se exaurindo porque é calcado na consumismo e no individualismo, que junto com outras variáveis, levam à banalização da violência.

“Infelizmente, vamos ter de chegar ao caos para mudarmos esse contexto. Entretanto, diante de grandes dificuldades, os homens encontram grandes soluções”, profetiza.

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