Polícia

Bauru-Iacanga já matou quatro só neste ano

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

A rodovia SP-321, que liga Bauru a Iacanga, já se tornou uma verdadeira “estrada da morte”, principalmente nos fins das tardes de domingo. Só nos 55 dias deste ano, já ocorreram quatro mortes na rodovia - a última delas; na noite de anteontem, vitimou Indelostia Pereira da Silva, 38 anos, e deixou nove feridos, entre eles, seis crianças.

A SP-321 une vários fatores de risco: pista simples, curvas fechadas, trecho longo em perímetro urbano e, o principal, serve de acesso para centenas de chácaras e ranchos nos municípios de Arealva e Iacanga. “O final da tarde e o começo da noite de domingo é o horário de retorno do pessoal das chácaras”, aponta o tenente Eurico Oliveira Júnior, comandante do Pelotão da Polícia Militar Rodoviária de Bauru.

De acordo com o tenente, o consumo de bebida alcoólica pela população flutuante das chácaras, que no final do domingo pega a estrada para voltar a Bauru, é a grande responsável pelos acidentes. “O problema da bebida é o principal”, diz Oliveira Júnior.

Segundo o tenente, o patrulhamento no trecho está sendo intensificado nos fins de semana e vai merecer atenção redobrada dos policiais na semana do Carnaval. “O patrulhamento já diminuiu bem o número de acidentes, mas ainda não é o ideal”, afirma.

Para Oliveira Júnior, além da SP-321 ser uma rodovia de pistas simples, com curvas fechadas, o trecho urbano acaba aumentando o tráfego e, conseqüentemente, o risco de colisões. “Ali a rodovia acaba servindo como uma avenida”, diz o tenente.

O aposentado Mário, que preferiu não divulgar o sobrenome, tem um rancho em Iacanga há dois anos e diz que conhece a estrada de “ponta a ponta”. Para evitar correr risco na estrada com a família nos finais de semana, ele procura voltar a Bauru em horários alternativos. “Procuro sempre ir embora no domingo um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde, por volta das 22h”, conta.

Mário afirma que os trechos mais perigosos da rodovia são o da curva próxima ao bairro do Rio Verde e onde há lombadas, no perímetro urbano. Ele diz que, de fato, há muitos motoristas que provavelmente abusaram do álcool e acabam dirigindo perigosamente. “Ultrapassagem em local proibido a gente vê acontecer direto”, declara.

Segundo o aposentado, há também erros de sinalização na estrada, como no início de um grande declive onde a visão é prejudicada, em que a faixa simples no chão permite a ultrapassagem. “Quem não conhece ultrapassa mesmo, e vai de encontro aos carros que estão subindo”, diz.

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