A rodovia SP-321, que liga Bauru a Iacanga, já se tornou uma verdadeira “estrada da morteâ€, principalmente nos fins das tardes de domingo. Só nos 55 dias deste ano, já ocorreram quatro mortes na rodovia - a última delas; na noite de anteontem, vitimou Indelostia Pereira da Silva, 38 anos, e deixou nove feridos, entre eles, seis crianças.
A SP-321 une vários fatores de risco: pista simples, curvas fechadas, trecho longo em perímetro urbano e, o principal, serve de acesso para centenas de chácaras e ranchos nos municípios de Arealva e Iacanga. “O final da tarde e o começo da noite de domingo é o horário de retorno do pessoal das chácarasâ€, aponta o tenente Eurico Oliveira Júnior, comandante do Pelotão da Polícia Militar Rodoviária de Bauru.
De acordo com o tenente, o consumo de bebida alcoólica pela população flutuante das chácaras, que no final do domingo pega a estrada para voltar a Bauru, é a grande responsável pelos acidentes. “O problema da bebida é o principalâ€, diz Oliveira Júnior.
Segundo o tenente, o patrulhamento no trecho está sendo intensificado nos fins de semana e vai merecer atenção redobrada dos policiais na semana do Carnaval. “O patrulhamento já diminuiu bem o número de acidentes, mas ainda não é o idealâ€, afirma.
Para Oliveira Júnior, além da SP-321 ser uma rodovia de pistas simples, com curvas fechadas, o trecho urbano acaba aumentando o tráfego e, conseqüentemente, o risco de colisões. “Ali a rodovia acaba servindo como uma avenidaâ€, diz o tenente.
O aposentado Mário, que preferiu não divulgar o sobrenome, tem um rancho em Iacanga há dois anos e diz que conhece a estrada de “ponta a pontaâ€. Para evitar correr risco na estrada com a família nos finais de semana, ele procura voltar a Bauru em horários alternativos. “Procuro sempre ir embora no domingo um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde, por volta das 22hâ€, conta.
Mário afirma que os trechos mais perigosos da rodovia são o da curva próxima ao bairro do Rio Verde e onde há lombadas, no perímetro urbano. Ele diz que, de fato, há muitos motoristas que provavelmente abusaram do álcool e acabam dirigindo perigosamente. “Ultrapassagem em local proibido a gente vê acontecer diretoâ€, declara.
Segundo o aposentado, há também erros de sinalização na estrada, como no início de um grande declive onde a visão é prejudicada, em que a faixa simples no chão permite a ultrapassagem. “Quem não conhece ultrapassa mesmo, e vai de encontro aos carros que estão subindoâ€, diz.