O nervosismo foi o ponto marcante na sessão legislativa de ontem. Vereadores denunciantes e denunciados trocaram farpas e acusações durante o desenrolar da reunião. O clima tenso no plenário provocou as mais variadas reações.
O vereador Luiz Carlos Valle (PSB), que presidiu a Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras, foi à tribuna justificar porque votou contra o pedido de instalação de Comissão Processante (CP) para Roberto Bueno (PTB) na semana passada, voto repetido ontem.
“Não acredito que o Bueno fez desmanche da Diretoria Administrativa e Financeira para facilitar a prática de ilícitos. O relatório foi injusto, imputando (a Bueno) um ônus muito alémâ€, defende.
Valle lembrou que o ex-diretor administrativo cometeu uma “série de deslizesâ€. Seu discurso provocou a reação de José Humberto Santana (PV), autor do relatório da CEI. “Esse relatório foi lido em plenário. Todos tiveram a oportunidade de modificá-lo, de emendá-lo. Observar agora que o relatório inseriu colocações injustas é extemporâneoâ€, esbravejou.
O posicionamento de Valle também provocou uma nervosa manifestação de José Clemente Rezende (PSB). “No momento da apresentação do relatório havia a possibilidade de emendá-lo. E isso não aconteceuâ€, reforça.
O parlamentar deixou Valle em situação constrangedora ao lembrar de uma conversa informal, na qual seu colega de partido lhe garantiu que a situação de Bueno não tinha salvação. â€œÉ preciso ter hombridade para assumirâ€, cutucou Clemente.
Emocional
Ao usar a tribuna pouco antes da votação que lhe rendeu a Processante, Bueno preferiu usar frases de efeitos emocionais. “Confesso que nunca passei por tanta humilhação como agora. Minha família passa por constrangimentos. Meus filhos, irmãos, mãe, primos, enfim, todos foram atingidos na honra e na moralâ€, reclamou.
O petebista insiste que não cometeu irregularidades. “Ofereci (à CEI) todas as provas documentais nas quais provo minha inocência. Sou julgado por algo que não fiz. Eu acredito na justiça de Deusâ€, finaliza.
Logo após a votação que aprovou sua CP, Bueno protocolou requerimento alegando que seriam necessários 14 votos para legalizar o processo. O documento foi juntado, mas seu mérito será discutido no decorrer da Processante.
O vereador Edmundo Albuquerque (PPS) reforçou a defesa de Bueno. “Pedi a Deus que me iluminasse. Procurei no relatório algo que justificasse o pedido de Comissão Processante. Não acheiâ€, justificou.
Ao contrário de Bueno, Walter Costa pediu para a Mesa Diretora ler documento no qual garante que também não foi omisso e negligente na apuração das denúncias de irregularidades do Poder Legislativo.
Osvaldo Paquito, último a usar a tribuna para se defender, repetiu discurso para explicar a circunstância na qual depositou na sua conta bancária cheque da Câmara Municipal emitido nominalmente a Volare Comércio e Obras, empresa de propriedade de sua cunhada e sobrinho.
“Cometi uma imprudência de fazer o depósito na minha conta. Se eu tiver que pagar por isso, vai ser injusto.â€