Economia & Negócios

Modelagem privada sofre restrição

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A proposta de reestruturação ou revisão do sistema de transporte coletivo urbano (modelagem) preocupa representantes dos setores que vão discutir o assunto na audiência pública marcada para esta quinta-feira, às 15h, na Câmara Municipal de Bauru. Nesta data, será apresentado o projeto esperado há mais de dois anos junto ao Poder Público. A restrição ao estudo é que ele foi pago e realizado pela iniciativa privada.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), gerenciadora do sistema, garante que o projeto e a pesquisa realizados pelas concessionárias de ônibus coletivos passaram pela triagem técnica da gestão pública. Sobre o assunto, o diretor do sistema viário da empresa, Valdomiro Fantini Jr., vem repetindo que houve o confronto de dados e pesquisas. “Nós estamos fazendo a revisão e análise periódica das informações de acordo com as diretrizes da Emdurb”, cita.

Mas o fato de a revisão estar sendo discutida a partir de elementos fornecidos pelas concessionárias não passou despercebido. “Vamos questionar se a proposta atende aos interesses do usuário e se ela terá a capacidade de racionalizar o sistema. Essa lógica não poderá ser ditada pela visão da iniciativa privada, a quem interessa o lucro”, adverte o presidente do Conselho de Usuários do Transporte Coletivo, Rubens de Souza.

Ele já vinha reclamando que a demora na implantação da revisão gerou prejuízos ainda maiores ao sistema. “O déficit na Câmara de Compensação Tarifária é antigo e passou dos R$ 6 milhões até o mês passado. A Emdurb pagou uma modelagem há dois anos e nunca colocou o programa em prática. Agora, vêm as concessionárias e apresentam gratuitamente um estudo”, comenta.

A empresa municipal contratou um estudo sobre o mesmo caso há dois anos, ao valor de R$ 180 mil.

A Emdurb se comprometeu a iniciar a implantação da revisão das linhas e itinerários em janeiro passado. O calendário não foi cumprido. A principal alegação da presidência da empresa municipal foi de que a crise administrativa na Câmara prejudicou a realização da audiência pública.

A reunião pública desta quinta-feira foi convocada pela Comissão de Obras, Serviços Públicos e Transportes, presidida pelo vereador Leandro Martins (PPS) e que tem como membros José Humberto Santana (PV) e Roberto Bueno Martins (PTB).

Para o presidente da comissão, a audiência será um bom momento para a discussão do projeto. “Espero que a modelagem beneficie as pessoas que usam os ônibus coletivos e que o prejuízo que vem sendo acumulado na Câmara de Compensação seja reduzido ao longo do tempo para tornar o sistema viável também para quem opera. Para isso, a Emdurb precisa realizar a revisão da proposta feita pelas empresas”, opina.

Outros segmentos esperam a mesma posição. “Entendo que a reestruturação do sistema de transportes deve levar em conta a melhoria das condições para quem usa o ônibus. A Emdurb, que gerencia o sistema, deve cuidar para que a proposta feita pelas empresas tenha esse objetivo. O projeto deve ser discutido com a população”, aborda o vereador Paulo Madureira (PPB).

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, insiste que a modelagem não pode servir de pretexto para o aumento do desemprego no setor. A entidade receia que as catracas eletrônicas e o passe-integração impliquem em menos postos de trabalho.

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