Política

Petistas ligados à CUT pedirão expulsão de Batata

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O voto contrário do vereador José Carlos Batata (PT) à instalação de Comissão Processante (CP) para Roberto Bueno (PTB) provocou reação irada de sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Francisco Wagner Monteiro e Jesus Garcia, diretores do Sinergia/CUT, ambos filiados ao PT, admitem que vão pedir a expulsão do parlamentar do partido.

“Gostaria até de ficar surpreso, mas tendo em vista os últimos posicionamentos do Batata, não fico mais. Para os militantes e para a sociedade, a atitude do Batata foi extremamente decepcionante”, avalia Monteiro.

O sindicalista lembra que o parlamentar petista se posicionou a favor da cassação do ex-vereador Hélio Pires e do ex-prefeito Antonio Izzo Filho. “E agora o Batata se encontra totalmente omisso. Para a militância partidária, ele tem sido um zero à esquerda.”

Monteiro adianta que pedirá à comissão de ética para apurar o comportamento do vereador na Câmara Municipal. “Vamos pedir a sua expulsão ao diretório estadual. A atitude do Batata não condiz com as posições do PT. Me sinto envergonhado pelo posicionamento dele”, critica.

Na avaliação do sindicalista Jesus Garcia, o voto do petista contra a instalação de Processante para Bueno foi incoerente. “Na sessão passada, quando foi apreciado o relatório da CEI das compras, o Batata votou a favor. A expectativa era de que ele mantivesse a coerência”, analisa.

No ponto de vista dele, o comportamento do parlamentar reflete a prática do PT na cidade. â€œÉ o PT institucional que vira as costas para o PT popular, do movimento popular.”

Garcia diz que a posição do petista merece uma “reflexão profunda”. “Precisamos pautar essa conduta do vereador. Após essa avaliação, provavelmente vamos solicitar a expulsão do Batata do PT”, adianta.

O posicionamento dos sindicalistas é reforçado por outro militante, Roque Ferreira. Para ele, a instalação de uma CP visa apurar e investigar denúncias, colhendo fatos e elementos. “Se houve prática de algum ilítico por parte do vereador Roberto Bueno, se instala o processo de cassação. Se chegar à conclusão de que não houve nenhum ato de improbidade praticada, se indica a não-cassação”, explica.

Ferreira diz que não deve evitar a Processante. “Ao não instalarmos a Processante, não se apura nada.” O petista afirma que o voto de Batata não expressa a posição do PT.

“O PT de Bauru, que está sob o comando do vereador Batata e da Estela (Almagro), não realiza reunião. Eles destruíram o partido enquanto força orgânica. Tomam posições individuais, se apropriando indevidamente do patrimônio do PT porque detêm um mandato”, diz.

O militante Fabrício Genaro divide a mesma opinião de seus colegas petistas. “A posição do vereador Batata contraria a vontade da maioria dos filiados do partido. A apuração deve ser feita para combater a corrupção. O mandato não pertence ao vereador, mas ao partido”, opina.

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'Não há provas'

“Não há prova material e conclusiva que aponte que o vereador Roberto Bueno cometeu as irregularidades apontadas no relatório da CEI das compras.” Essa é a justificativa do vereador José Carlos Batata (PT) para seu voto contrário à instalação de Comissão Processante (CP) para Roberto Bueno (PTB), ex-vice-presidente da Câmara Municipal.

Para o parlamentar petista, é preciso entender que há dois momentos distintos sobre a situação de seu voto. “Votei sim ao acolhimento do relatório da CEI. Votei contra hoje (segunda-feira) à instalação da Processante contra o Bueno. O processo não subsidia nenhuma prova conclusiva”, reforça.

Batata diz que reconhece a CUT como um movimento sindical legítimo. “Há integrantes que pertencem ao PT e há outros que não. No entanto, a CUT é um foro em específico e o PT é outro totalmente distinto. Mas respeito a posição da CUT.”

O parlamentar avalia que o momento exige o afastamento das “paixões eleitorais e pessoais internas”. “Nesse momento importantíssimo nós não podemos nos mover pelo coração e sim pela razão. Acredito que se os sindicalistas se debruçarem sobre o processo em si também poderão chegar à mesma conclusão que eu cheguei”, finaliza.

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