A remoção de parte do aterro da ponte Aryrton Senna, que liga o núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial I, provoca controvérsias entre engenheiros civis de Bauru.
Uns acreditam que o trabalho iniciado pela Secretaria Municipal de Obras anteontem pode resultar na queda da ponte. Outros consideram adequada a atitude da administração municipal que, embasada em estudos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da empresa Albiero Projetos e Construções Ltda, continua promovendo a retirada de terra até a metade da altura da ponte.
Também não existe unanimidade sobre a possibilidade do trabalho inviabilizar ou alterar a produção de provas.
A prefeitura ingressou na Justiça com uma ação cautelar de produção de provas com o intuito de que sejam investigados problemas estruturais da ponte, que foi construída pela Tofer - Engenharia, Comércio e Indústria. Após a identificação de rachaduras, a estrutura foi interditada desde o dia 7 de janeiro, por medidas de segurança.
Para uma fonte que preferiu não se identificar, qualquer ação na extensão ou nas extremidades da ponte, mesmo no aterro, altera o quadro que será avaliado pelo perito judicial dentro de no máximo 15 dias.
“O quadro será modificado podendo haver perda de informações, que poderão ou não ser vitais para a perícia. Dentre elas, o desaparecimento do que aconteceu entre o concreto e o asfalto. A secretaria poderia esperar para iniciar as obras e aguardar a apuração de provasâ€, diz. A administração municipal também removeu a capa asfáltica, guias e sargetas da rua César Cruz Ciafrei, que dá acesso à ponte.
Na opinião dessa mesma fonte, a estrutura da ponte corre risco de ruir porque embora devesse sustentar o peso do aterro, passou a se escorar nele. “As estacas do lado dos aterros não suportaram a carga e, ao afundarem, provocaram o tombamento dos pilares em direção do aterro, tracionando as estacas do lado do rio - onde ocorreram as trincasâ€, enfatiza.
Opinião oposta tem o engenheiro e ex-secretário das Administrações Regionais (Sear), Celso Donizete. Ele garante que o problema da ponte é decorrente da sobrecarga provocada pelo aterro nas cabeceiras da ponte. “Provavelmente o peso não foi previsto no cálculo estrutural. Na época, eu cheguei a alertar o prefeito Nilson Costa sobre o assunto. Estavam colocando muita terraâ€, lembra.
Por essa razão, ele considera adequado o trabalho da Secretaria de Obras que, na sua opinião, deve trazer alívio para a estrutura em risco de entrar em colapso.
“Toda a formação patológica da ponte já é visível. Assim, para um bom perito, o trabalho iniciado pela secretaria não vai alterar muito. A prefeitura está entre a cruz e a espada porque se não tomar iniciativas rápidas pode perder a obra por completoâ€, ressalta.
Apoio
Tem opinião semelhante o vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros Marcos Wanderlei Ferreira, que atribui à altura das estacas a vulnerabilidade da ponte.
“As estacas precisavam ficar dois metros acima. Por ter alterado a situação da obra, a construtora deveria ter feito contato com o projetista para verificar se o projeto deveria ser modificado. Já o fato da administração trabalhar nas proximidades da ponte, isso não altera em nada a produção de provasâ€, conclui.
Concorda veementemente com ele o Secretário de Obras, Antônio Carlos Duarte, que garante ter conversado ontem com o perito Denilson Douglas Bernardo e com o juiz Horácio Furquim Guanaes, responsáveis pelo caso no Fórum de Bauru.
“Eles foram comunicados das nossas iniciativas e as autorizaramâ€, afirma. Fontes na Justiça confirmaram a informação.
Mas Duarte também comunga parcialmente com a opinião daqueles que defendem a não-retirada do aterro. “Não vamos retirá-lo por inteiro. Apenas parte dele, o que faz pressão sobre a ponte. A outra parte do aterro permanecerá no local para ancorar a estruturaâ€, explica.
De acordo com o secretário, a idéia é aguardar a produção de provas para posteriormente reforçar a estrutura com um conjunto novo de estacas e um novo bloco envolvendo o já existente.
“Estamos acompanhando o rebaixamento da fundação através de dados levantados por técnicos da Unesp. Tentamos restringir o acesso à ponte e depois impedi-lo, mas não foi o suficiente. A única saída encontrada foi aliviar o peso na ponte através da remoção do aterro, já que as rachaduras aumentaram 5 milímetros em 70 diasâ€, informa.
Mais uma vez, a diretoria da empresa Tofer foi procurada, mas não se manifestou sobre o assunto.