Política

Estudo reduz ônibus nas ruas, mas oferece ampliação da oferta

Nelson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A modelagem a ser discutida hoje foi contratada pelas empresas concessionárias do sistema de transporte coletivo. A consultoria foi realizada pela Logitrans, Logística Engenharia e Transportes Ltda, empresa com sede em Londrina (PR). O diretor de operações da Logitrans, Antônio Marchezetti, comenta que o objetivo foi identificar qual era o interesse de viagens das pessoas que usam os coletivos em Bauru.

O estudo foi feito para mostrar qual a forma de melhorar o sistema atual de acordo com as linhas desejadas pelos usuários. “Nós usamos dados de matriz que constam do trabalho realizado no ano 2000 e dados de direcionamento de linhas. Fizemos 15 mil pesquisas de pessoas que embarcaram nos ônibus. Depois, nossa radiografia foi cruzada com o banco de dados da Emdurb, que fez a revisão linha por linha da proposta”, cita.

A conclusão foi de que o sistema operado hoje é caro e irracional. “Boa parte dos problemas foi confirmada. O estudo evolui. O número de veículos por linha, que é de três passa para quatro mesmo com a retirada de 33 ônibus das ruas. O fator de conforto também melhora muito. Hoje, o tempo de espera gira em média em 30 minutos, o que é elevado. Conseguimos reduzir para 21 minutos”, comenta.

Ou seja, a modelagem pressupõe oferta maior de veículos ao longo das linhas em intervalos menores. “A otimização das linhas vai permitir mudar cerca de 40% dos traçados atuais, melhorando intervalos e oferta de ônibus. A proposta cobre todo o sistema para a grande maioria da demanda. Mas os fluxos principais não serão mexidos, como os grandes corredores de ônibus. Nós melhoramos traçados também”, acrescenta o engenheiro.

Mas Marchezetti salienta que as mudanças exigem nova postura do usuário. “O projeto é para racionalizar o sistema, mas não contempla o atendimento assistencialista. Ou seja, aquele usuário que está acostumado a pegar o ônibus em frente à sua casa pode ser chamado, em alguns pontos, a andar em média 150 metros”, avisa. A modelagem estabeleceu o limite de 300 metros para o deslocamento máximo a ser percorrido pelo usuário de sua origem até o ponto de ônibus mais próximo.

Ele explica melhor a questão de reeducação do usuário. “O usuário tem que saber que às vezes o melhor não é colocar o ponto na frente de sua casa, mas em um local que atenda a maioria das pessoas que usam ônibus em seu bairro. Mas a distância máxima não vai exigir muito dele. Ao contrário, o usuário vai perceber que ele terá um sistema mais ágil e com mais opções, com intervalos menores”, atesta.

O estudo aponta que apenas 17% da demanda atual de passageiros necessita usar dois ônibus para chegar ao destino final. “A margem está dentro da média nacional. Cerca de 80% dos passageiros em cidades do porte de Bauru pegam ônibus para se deslocar de um único lugar para outro. Apenas 20% precisam da integração. Mas a bilhetagem será necessária depois”, menciona.

O estudo verifica que 61,1% das viagens são motivadas para ida ao local de trabalho ou retorno, 24,3% para residências, 6,4% para escolas e 8,2% para outros (lazer, passatempo etc.). O Centro da cidade, sobretudo a avenida Rodrigues Alves, responde por 26,9% da movimentação de passageiros na hora de pico da manhã.

O Altos da Cidade vem logo em seguida, com 7%. Outros bairros como Redentor, Distrito Industrial, Geisel, Falcão e Mary Dota atraem cerca de 4% das viagens cada um. O mapa dos deslocamentos desejados pelos usuários demonstra que há pouca procura por linhas transversais entre os bairros. A maioria das solicitações de viagens aponta dos bairros para o Centro e vice-versa, de acordo com o horário.

O estudo completo prevê fusão, eliminação, ampliação e modificações de itinerários em alguns bairros. O programa completo de alterações, se aprovado na audiência de hoje, terá divulgação maciça de pelo menos três semanas junto aos usuários antes de ser implantado.

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