Bairros

Ação despeja 13 famílias do Jd. Ferraz

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma ação judicial de reintegração de posse retirou ontem pela manhã cerca de 60 pessoas de 13 residências localizadas no Jardim Ferraz. A ação foi movida pelo proprietário das residências, Eduardo João Assef, e a liminar de reintegração expedida pelo juiz da 3.ª Vara Civel de Bauru, Mauro Ruiz Daró.

As casas reintegradas ao proprietário estão localizadas na avenida José Henrique Ferraz e nas ruas Rodolfina Dias Domingues e Cyro Wenceslau.

A retirada das famílias pelos oficiais de Justiça foi acompanhada pela Polícia Militar, que disponibilizou 47 homens para a operação.

“O juiz da 3.ª Vara expediu liminar de reintegração e solicitou a força policial adequada para que fossem retiradas as pessoas”, afirma o major Pedro Batista Lamoso, que comandou a ação da Polícia Militar no local.

A retirada foi realizada de forma pacífica, apesar do clima de comoção entre os despejados.

Muitos deles reclamavam que não haviam sido comunicados oficialmente sobre a ação e que não teriam para onde ir.

Segundo o oficial de Justiça Ronaldo Felício, por se tratar de uma medida cautelar, não há obrigação de se comunicar o fato com antecedência. “A medida cautelar não tem aviso. Primeiro, cumpre-se a medida e depois dá ciência”, explica.

Apesar disso, o oficial conta que no último domingo tentou notificar informalmente o fato às famílias. Mas afirma que teria sido ameaçado e agredido fisicamente por um morador, deixando de informar parte dos envolvidos.

“Por uma questão de cautela com a parte social e humanidade, informalmente, eu achei por bem, a pedido do juiz, que eu viesse aqui e desse uma ciência para que eles abandonassem o imóvel, e para surpresa minha, na primeira visita que eu fiz, eu comecei a ser ameaçado”, afirma.

O oficial registrou um boletim de ocorrência sobre a agressão, que foi confirmada por outros moradores.

Recurso

Os desabrigados poderão recorrer da liminar expedida pelo juiz no prazo de 15 dias. De acordo com o major Lamoso, eles foram orientados a procurar um advogado gratuito na Procuradoria do Estado.

A reportagem tentou entrevistar o juiz da 3.ª Vara Civel, mas não foi atendida.

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Outras ações

Segundo informações da imobiliária Conai, responsável há seis meses pela administração dos imóveis invadidos, o proprietário Eduardo José Assef é dono de 30 residências no local. Sete estariam em situação regular, e as outra 22 teriam sido alvo de invasões.

De acordo com Fábio Shinomia, advogado do proprietário, diante desse quadro de invasões outras duas ações estão sendo movidas, na 1.ª e 6.ª Vara Cível de Bauru, visando a reintegração de posse de todas as residências.

Segundo o advogado, antes das ações judiciais, a imobiliária teria tentado dialogar com os invasores, mas não teria obtido resultados. Alguns moradores negaram a informação.

De acordo com o major Lamoso, não estão descartada outras movimentações no local nos próximos dias. “A princípio, o que a gente pode observar é que nessa primeira ação, na 3.ª Vara, são 13 casas, mas corre outras ações em outros processos também no Fórum de Bauru. Possivelmente, daqui há dez dias também haverá a reintegração das demais casas”, afirma.

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