Pesca & Lazer

História de Pescador: "A Moita que anda"


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Isso aconteceu por volta dos anos 60, num trecho do rio Batalha em Avaí, numa lagoa ainda hoje existente chamada de “Lagoa do Cortado”.

Nessa época corria “boatos” que a referida lagoa era pois muitos “pirangueiros” evitavam pescar em suas águas, devido a “coisas estranhas e assustadoras” que ali aconteciam, isso sempre ao entardecer, pois nesse horário em diante coisas inexplicáveis ali aconteciam, como barulho de batida na água, ondas que se formavam e os cardumes de peixes assustados saltavam fora da água etc...

Intrigado com essa história, resolvi averiguar e se possível desvendar o mistério da lagoa. É mas não fui sozinho, foram comigo os companheiros Zeca Mady, Carlito, Zeca Venâncio, Nenê Balaio e o Sérgio Coelho, e lá fomos nós.

Chegamos no local “Lagoa do Cortado” no meio da tarde, armamos nosso acampamento nas margens, mais ou menos no meio da mesma, e ali começamos a nos preparar para desvendar o fenômeno que ali tanto assustava os “pirangueiros” freqüentadores da “lagoa”.

Checamos as lanternas, o cilibim e as espingardas, ao todo eram sete, calibres 12, 22, 32, 36, 38, 44 e uma pica-pau do Sérgio Coelho. Após umas “biritas” e o “rango”, ficamos aguardando o anoitecer e a famosa assombração, no mais total dos silêncios.

Por volta das 19h30 horas começou o barulho na água, rapidamente nos posicionamos armados na beira da lagoa para melhor ver o fenômeno. Quando a “coisa” estava passando em nossa frente acendemos as lanternas e o cilibim, quando inacreditavelmente vimos uma “moita de arbustos” ziguezagueando pela lagoa e dando “botes” nos curimbatás ali existentes. Com a ordem de atirar dada pelo Carlito todos nós abrimos fogo na moita a qual se debatendo e desnorteada encalhou na margem da lagoa permanecendo inerte, aparentando estar morta.

Com muito cuidado recarregamos as nossas armas e fomos com cautela chegando até a “coisa”, onde veio o espanto pois descobrimos que a “moita que anda” nada mais era que um “trairão” com cerca de 120 a 140 quilos a qual de tão velha que era, acumulou durante anos lodo em seu lombo, onde nasceu uma bela moita de arbustos, dando assim a impressão de que era a moita que andava.

Fim da história, comemos traira no mês inteiro, fora o que doamos para a creche e o asilo de nossa cidade. (Sérgio Andrade Moreira - Pescador e contador de histórias)

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