A racionalização do sistema de transporte coletivo urbano em fase inicial de implantação vai permitir a redução do custo de operação em R$ 500 mil/mês. Esta foi a estimativa apresentada pelo Diretor do Sistema Viário (DSV) da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Waldomiro Fantini Jr. na audiência pública realizada ontem na Câmara.
Segundo Fantini, o sistema opera hoje a um custo total de R$ 3,8 milhões/mês. O custo é resultado da planilha calculada pela Câmara de Compensação Tarifária (CCT). A despesa contabiliza itens como manutenção da frota, quilometragem percorrida, mão-de-obra, encargos e outros insumos em relação ao volume de passageiros transportados/mês.
Segundo o diretor da gerenciadora das linhas, a despesa vai cair. “Com a realidade atual projetamos uma redução de despesa de R$ 500 mil, o que dá R$ 6 milhões no ano. É claro que esta projeção está condicionada às alterações da planilha. O óleo diesel, por exemplo, vem sofrendo aumentos sucessivos e isso reflete no custo finalâ€, cita.
O principal fator responsável pela queda na despesa operacional será a racionalização das linhas e itinerários. “Hoje os ônibus rodam 1,7 milhão de quilômetros/mês para transportar 2,8 milhões de passageiros. Vamos conseguir reduzir o percurso em 13%, ou 200 mil quilômetros a menosâ€, comenta Fantini.
O presidente do Conselho de Usuários, Rubens de Souza, não se opôs à estrutura básica do projeto. Mas ele sugere que a proposta técnica seja ajustada de acordo com situações pontuais que virão.
Além disso, Souza defende que o prefeito utilize parte dos R$ 8,6 milhões obtidos com a licitação do ano passado para eliminar a dívida da CCT, que já passa de R$ 6 milhões.
O Executivo está estudando a proposta. O prefeito Nilson Costa (PPS) foi contatado para dar sua posição, ontem, mas não houve retorno.
Outros aspectos da revisão das linhas vão contribuir com a economia. A modelagem aponta que o número de linhas vai cair de 76 para 55. A frota em operação nos dias úteis vai ser reduzida de 239 para 206 ônibus. Isso significa redução em insumos, como consumo de combustíveis.
Contudo, a redução nas despesas não vai resultar em tarifa menor. Segundo o presidente da Emdurb, Edmilson Queiroz Dias, o valor atual já está defasado. “A tarifa está defasada entre R$ 0,18 e R$ 0,22 e os insumos pressionam mesmo com a revisão no sistemaâ€, afirma.
A informação coloca em xeque a última planilha de custos apresentada pela Emdurb na discussão sobre o aumento de tarifa de R$ 1,00 para R$ 1,20. O estudo projetava que seria possível eliminar o déficit de R$ 6 milhões no sistema em até 24 meses com a tarifa reajustada. A informação dada ontem e a realidade apresentada na modelagem mostram que a planilha não espelhou a realidade.
A audiência pública realizada na Câmara foi presidida pelo vereador José Humberto Santana (PV), membro da Comissão de Obras, Serviços e Transportes.
Emprego e tarifa
Por outro lado, a racionalização implica em dispensa de profissionais. A associação que congrega as três empresas que atuam na cidade (Grande Bauru, TUA e Sem Limites) não quis adiantar o número.
Segundo a assessoria de imprensa das empresas o assunto será estudado nas próximas semanas. “Será analisada uma alternativa para a mão-de-obra ociosa no novo sistema para que o impacto seja o menor possível para o trabalhador. Serão analisadas situações como benefício para aposentadorias e outras questõesâ€, divulgou a assessoria.
Edmilson Queiroz comentou que a busca por novas oportunidades de emprego não é uma missão só do Executivo. “A questão é da sociedade. O prefeito está trabalhando para modernizar a cidade e gerar mais empregos. Mas desemprego não é uma questão pontual. No caso da revisão dos coletivos, perde-se os anéis e fica com o dedoâ€, emendou.
O sindicalista representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Roque Ferreira, criticou. “O impacto sobre a classe trabalhadora é grande. O erro está na origem, na concepção da matriz de transportes do País, que privilegiou o modal rodoviário em detrimento a outras opções melhoresâ€, lembrou.
Os trabalhadores também se manifestaram e reforçaram que a bilhetagem eletrônica poderá levar à demissão de cobradores. “Como fica a questão do emprego? O projeto prejudica o trabalhador e depois ainda vem a catraca eletrônicaâ€, disse o motorista Glaudinês Belmiro da Silva.
Ele é o principal articulador da chapa de oposição ao Sindicato dos Condutores (Sindtran). A diretoria do Sindtran apareceu apenas no início da audiência.