Polícia

PM usa arma contra álcool no volante

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Desde a madrugada de hoje, a Polícia Militar (PM) está se valendo de uma arma para reduzir a incidência de acidentes de trânsito durante o Carnaval: o bafômetro. Através dele, mortes, como a registrada no cruzamento da rua Araújo Leite com a avenida Rodrigues Alves no mesmo período do ano passado, podem ser evitadas.

É nisso que apostam os policiais da 4.ª Cia da PM que estarão circulando com o equipamento por locais onde o fluxo de veículo for grande nesses dias, como nas proximidades de bailes ou festas de rua.

“O local será definido na hora, já que a idéia é surpreender os motoristas. É a primeira vez que usaremos o bafômetro no Carnaval”, explica o comandante do Pelotão de Trânsito em Bauru, tenente Jorge Luís Dias.

De acordo com os dados apresentados por ele, 82 acidentes foram registrados durante o Carnaval de 2002. Num deles, uma pessoa morreu e em outro a vítima foi socorrida em estado grave.

“Estamos vivendo uma situação atípica neste ano porque não tivemos morte no trânsito até agora. No mesmo período do ano passado, três pessoas já haviam perdido a vida. Como o Carnaval é um período em que as pessoas extrapolam um pouco, redobraremos as atenções. Queremos que todos se divirtam, mas com responsabilidade”, enfatiza o tenente.

As indicações do bafômetro podem resultar em infração administrativa ou crime para o motorista que for surpreendido com concentração de álcool acima da permitida.

No primeiro caso, a pessoa tem de arcar com uma multa de quase R$ 1 mil, além de perder sete pontos na habilitação. Também responde a um processo administrativo que pode levar à suspensão da carteira de um mês a dois anos.

Para tanto, basta que o motorista esteja com 0,6 decigramas de álcool por litro de sangue, mesmo que não tenha provocado danos a terceiros ou colocado em risco a vida de alguém.

“Para apurar a concentração de álcool, além do bafômetro também podemos contar com a avaliação de um médico do Instituto Médico Legal (IML) ou de um exame de sangue autorizado pelo motorista”, relata Jorge Luís.

Mas se o condutor colocar em risco a vida de uma outra pessoas, ele incorre em crime, conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro. Nesse caso, fica sujeito à pena de seis meses a três anos de detenção.

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Bafômetro

O bafômetro é um equipamento que estabelece, quase que instantaneamente, a quantidade de álcool por litro de ar. Se a concentração for igual ou maior a 3 miligramas de álcool por litro de ar, o motorista está impedido de dirigir. A medição corresponde a 0,6 decigramas por litro de sangue.

O uso do equipamento foi autorizado e regulamentado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e deve ser regularmente aferido pelo Instituto de Metrologia (Inmetro).

Por intermédio dele, até pareceres psicológicos podem ser confirmados. Um estudo feito pela psicóloga Rejane Tavares indica que pessoas com boa concentração, agilidade, reflexos e controle emocional tornam-se mais agressivas e perdem a autocrítica após o consumo de álcool.

Dados da Associação Brasileira de Medicina no Trânsito (Abramet) confirmam o parecer e ressaltam que a euforia e a empolgação das pessoas alcoolizadas resultam em negligência.

Segundo informações da associação, o álcool afeta negativamente o trânsito em aspectos como sobrevivência, performance e comportamento do condutor.

Ou seja, o motorista que bebe a mais está suscetível a ferimentos mais graves. Além disso, o condutor perde a visão periférica e deixa de ter controle do todo. Por fim, o álcool o deixa mais destemido, tornando-o vulnerável a velocidades altas.

Por essa razão, o sargento Renato Fernandes sugere caronas ou transporte de ônibus às pessoas que decidirem consumir álcool.

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