Bariri - Os irmãos proprietário da microempresa Tum Brasil atribuem o recente sucesso empresarial ao Núcleo de Desenvolvimento Empresarial de Bariri - a incubadora de empresas. Trata-se de um projeto que oferece gratuitamente todo o respaldo necessário à implantação e sobrevivência inicial de micro e pequenas empresas.
O projeto é desenvolvido na cidade desde 1999, numa parceria entre o Serviço de Apoio à Pequeno e Médio Empresa (Sebrae), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e prefeitura municipal.
De acordo com a administradora de empresas Maria Vicentina Gonzaga, coordenadora da incubadora em Bariri, o objetivo do projeto é apoiar as micro e pequenas empresas em seus dois primeiros anos de vida no intuito de diminuir a “mortalidade†precoce delas.
Para isso, o núcleo oferece, além das instalações, cerca de 300 horas de consultoria e treinamento por ano. As orientações incluem noções gerais de administração e planejamento e trabalhos específicos de acordo com cada ramo de atividade.
Além do suporte teórico, a parceria garante às empresas todo o aparato tecnológico de que ela precisa - sempre do mais moderno. “Se você precisa de uma ferramenta específica, eles vêm até você e fabricam uma ou ensinam você a fazer isso - tudo de graçaâ€, afirma Gilson Geremias da Silva, sócio-proprietário da Tum Brasil.
Ele destaca que foi graças a esse suporte que a fábrica pôde dar mais qualidade aos produtos - exigência determinante para a exportação - e dinamizar sua administração geral. “Nas condições em que está o País hoje, estamos muito satisfeitos aqui. Não sei como seria se ainda estivéssemos em São Paulo. Seria muito complicadoâ€, defende.
Vicentina explica que as orientações gerenciais incluem desde a administração da produção, financeira e de vendas até os conceitos de marketing. “A gente quer que nossos ‘bebês’ empresários cresçam (...) e saiam daqui senão ganhando mais dinheiro, com certeza com as orientações necessárias para tal e, com certeza, como melhores pessoasâ€, garante.
Ela defende que a importância do programa está nos resultados relativos à inclusão social. “Não estou certa do número, mas parece que 87% dos empregos gerados no País vêm de micro e pequenas empresas, então, é um processo ágil, rápido para se mudar esta condição tão necessária no Brasilâ€, salienta.
A coordenadora lembra que as cidades costumam brigar pelas grandes empresas, deixando as pequenas de lado. “A grande vem e emprega 500, 600 pessoas. Mas se algo dá errado, são 500 ou 600 que deixam de ter um emprego. Na microempresa, se algo não dá certo, o impacto social é bem menor, porque são unidades que empregam poucas pessoas cada uma e elas podem ser rapidamente absorvidas pelo mercadoâ€, adverte.
Origem
A incubadora de empresas de Bariri é fruto de um convênio assinado em 1997. O programa começou a funcionar em 1999, com nove empresas. Na época, todas ligadas à confecção - área em diversos profissionais atuavam na informalidade.
Atualmente oito empresas compõem o núcleo, atuando em ramos bastante diversificados. Além da fábrica de instrumentos musicais, há uma fábrica de cadeiras para auditórios e móveis escolares, uma empresa de produtos descartáveis, fábrica de buchas para banho e peças decorativas e uma indústria de equipamentos eletrônicos
Outra três empresas estão em fase de instalação: uma fábrica de calçados, uma na área de eletromecânica e outra que vai produzir caixas de inspeção em fibra de vidro para redes de esgoto.
Atualmente, o núcleo empresarial de Bariri emprega 47 pessoas. As empresas que participam do programa recebem todas as instruções gratuitamente. A única despesa refere-se ao rateio dos custos de manutenção das instalações, que incluem gastos com telefone, energia elétrica, Internet, faxineira e materiais de limpeza e consumo.
Reconhecimento
Os irmãos contam que seus produtos foram descobertos pelo mercado estrangeiro há cerca de dois anos, quando um distribuidor francês viu peças à venda numa loja revendedora e interessou-se em importar os instrumentos em maior quantidade para revender na Europa.
“Mas como ele toca e conhece muitos instrumentos, ele fez algumas modificações em nossas peçasâ€, conta Gilson, que admite não tocar nenhum instrumento de percussão - nem ele, nem os irmãos.
“As peças para exportação têm algumas diferenças - eles têm que ser mais reforçados, porque os europeus afinam com mais freqüência e se preocupam muito com a definição sonora e estética do instrumentoâ€, detalha o irmão Sérgio Costa Geremias, 37 anos.
Gilson salienta que o início das exportações abriu uma grande porta para os novos empresários. “Por um lado, nós precisávamos aumentar a qualidade dos nossos produtos. Por outro, com o aumento da produção poderemos, em alguns anos, ter 40, 50 funcionários e tínhamos o receio de não saber lidar com isso, de não saber administrar tudo isso. Foi a incubadora que forneceu toda a consultoria necessária para vencermos issoâ€, destaca
Atualmente, a fábrica funciona com oito funcionários, produzindo cerca de 500 instrumentos por mês. “Na época de exportação, essa quantidade aumenta em 300 ou 400 unidades. No último conteiner, enviado para a França em outubro passado, foram quase 800 peçasâ€, conta.
De acordo com o irmão Jair Geremias da Silva, a empresa tem um faturamento mensal que varia entre R$ 25 mil e R$ 80 mil, conforme a época do ano. Eles informam que esta variação tão grande deve-se aos picos de procura durante o ano. Há períodos, como nas épocas de Carnaval e desfiles de 7 de Setembro, em que há um aumento muito grande da demanda.