Tribuna do Leitor

A farsa do Fome Zero


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No momento em que escrevo este texto, dia 24/2/03, não deve haver mais ninguém passando fome no Brasil, isto porque se existissem mesmo famintos neste país, os mesmos já teriam morrido de fome, pois é impossível a sobrevivência de qualquer ser humano por mais de 50 dias sem comer. Dizer que o Brasil tem 46 milhões de famintos é zombar de nossa inteligência, é colocar o país num péssimo cenário perante o mundo, é humilhar o povo brasileiro. Sem dúvidas, foi uma grande jogada de marketing político, e está sendo uma desculpa para justificar toda e qualquer manobra política do atual governo, bem como para mascarar o seu despreparo para administrar este nosso país. Mexer com as paixões humanas sempre rendeu votos. Políticos populistas sempre souberam usar disto. Mexer com a compaixão do povo, então, gera um aval quase messiânico para quem consegue. Realmente, qualquer pessoa irá se engasgar com o osso do corancho de frango, ao saber que milhões de pessoas não teriam acesso a esse alimento, e nem mesmo ao fubá para a polenta. Vota-se então nesse messias que vai resolver esse flagelo bíblico.

“Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”; e então vê-se que tudo não passava de balela eleitoral. O tão famoso Programa Fome Zero era somente um projeto do projeto e ninguém sabia nem como começar. Para as primeiras doações, nem caixa havia, e parece que ainda não há. A única coisa que rendeu foi um tour pela região da seca, o que obviamente dá visibilidade política. Tentar estatizar o combate à fome no Brasil é desmerecer o trabalho dos vicentinos, das igrejas de todos os credos, das entidades filantrópicas e clubes de serviços que ao longo desses anos amenizaram as necessidades do povo brasileiro.

O governo FHC, com seus programas sociais tipo Bolsa-Escola, de uma forma inteligente, minimizou bastante o problema. E o PT quase acabou com esse programa. Fala-se em contratar milhares de fiscais para controlar os gastos do povo beneficiado com o Fome Zero, inchando ainda mais o Estado. Algumas empresas estão se prontificando a fazer doações para o Programa Fome Zero, mas o que ninguém explicou ao povão é que toda doação é dedutível do Imposto de Renda, e aí a coisa passou a ser um excelente negócio empresarial, pois dependendo do que for doado, uma jogada contábil poderá dobrar o valor a ser deduzido; e a empresa ainda passa por boazinha junto à opinião pública.

É inegável que existem pessoas necessitadas em nosso país. São bem mais do que gostaríamos que fossem, e bem menos do que o governo apregoa. Todavia, é como dizia o falecido cantor Luiz Gonzaga em uma de suas músicas: “A esmola acostuma ou humilha o cidadão”. Nesse caso a humilhação já está no próprio cartão em que está impresso os dizeres Fome Zero. E depois tem sempre aqueles que se acostumam e preferem não trabalhar para poder receber os R$ 50,00, que somados aos reais do Bolsa-Escola, Vale-Gás e outros benefícios, além dos programas de distribuição de leite e cestas básicas, constituem um ganho garantido que muitas vezes ultrapassa o que aufeririam em um emprego regular. Desta forma, teremos em breve não 46 milhões de beneficiados pelo Programa Fome Zero, mas o dobro disso. Grato pela publicação. (Antonio Vitorino Ferreira - RG: 9.817.501)

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