Vencendo as dificuldades deste Carnaval em Bauru, as escolas de samba Coroa Imperial e Flor de Laranjeira levaram cerca de 300 pessoas à avenida das Laranjeiras, na noite de ontem, no Núcleo Geisel. O desfile, realizado em parceria entre as duas instituições, teve início às 18h30 e durou aproximadamente uma hora. Apesar da alegria, público e carnavalescos não se esquecem dos tempos em que a festa acontecia no Sambódromo, com mais estrutura e comodidade.
Com um carro alegórico e três alas, além da bateria, do Rei Momo e da rainha, os integrantes das escolas homenagearam Mestre Landinho, falecido em 2002, e fizeram sambar na avenida “crianças†de todas as idades.
A Polícia Militar (PM) esteve presente com viaturas, cavalaria e base comunitária móvel, mas não registrou incidentes.
A agitação e o calor do fim de tarde foram benéficos aos comerciantes e vendedores informais das redondezas da avenida. “O Carnaval de bairro faz com que a movimentação aqui seja enormeâ€, diz Alexssandro Bussola, ajudante em um bar do Núcleo Geisel.
Bussola, que também é um dos diretores da escola Flor de Laranjeira, explica que a parceria com a Coroa Imperial surgiu com a finalidade de homenagear Landinho. “Neste Carnaval de 2003, mesmo não sendo oficial, nós não poderíamos deixar de lembrar da pessoa histórica do Landinhoâ€, expõe.
Ele espera, entretanto, que em 2004 o Sambódromo volte a receber as escolas de samba de Bauru. “Assim que o Sambódromo estiver liberado, a disputa sadia haverá entre a Coroa e a Laranjeiraâ€, afirma.
Muitos moradores driblaram o concreto incômodo das calçadas para conferir o desfile. Alguns, mais animados, juntaram-se ao grupo na avenida com muito samba no pé.
Apesar da alegria, a saudade do Sambódromo não ficou para trás. Maria Aparecida de Oliveira, que participou do desfile no bloco das baianas, conta que gostava dos desfiles de antigamente. “No Sambódromo era mais gostoso, mais bonito. Isso aqui é só para dar uma alegria para o povo do Geiselâ€, diz.
Josefa dos Santos, outra integrante da ala das baianas, concorda. “Lá no Sambódromo era mais animado e tinha mais gente. Era mais samba no pé. Se deus quiser, no ano que vem volta a ser láâ€, acredita.
A moradora Ivone Aparecida Moseka assistiu a todo o desfile, mas também lamenta o abandono do Sambódromo. “O Sambódromo foi um dinheiro jogado fora, praticamente. É uma judiação deixar aquilo abandonadoâ€, enfatiza.
Cida Nunes reclamou da organização e da falta de acomodação para o público. “Eu acho que não deveria ser aqui. deveria ser no Sambódromo já que ele foi construído para isso. O bairro ficaria muito feliz se fosse láâ€, salienta.
Enquanto uns reclamam, outros apenas divertem-se. É o caso de Aníbal Pereira da Silva Júnior, que ia todos os anos aos desfiles do Sambódromo. “A gente está aproveitando ao máximo. Está valendo a alegriaâ€, afirma.
Jario Marques de Souza, o Rei Momo, também se divertiu. â€œÉ claro que no Sambódromo seria mais gratificante, mas nos bairros eu também estou me sentindo muito bemâ€, ressalta.
O presidente da Coroa Imperial e da Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec), Avelino de Souza, não se mostrou muito satisfeito. “Não é aquele Carnaval do Sambódromo. A gente está acostumado com outra coisa, mas se o pessoal quer assim, assim seráâ€, expõe.
Mais desfiles
A Mocidade Independente desfila a partir das 20h de hoje, entre as quadras três e nove da rua Campos Salles, na Vila Falcão. Amanhã, a Tradição da Zona Leste desfila às 20h, entre as quadras seis e 17 da avenida Marcos de Paula Rafael, no Mary Dota.