Regional

Rapaz invade ala da bateria em Duartina e mata folião

Thaís da Silveira e Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

A noite de anteontem que seria de festa tornou-se tragédia em Duartina. O desfile da escola de samba Unidos da Vila foi interrompido quando um homem invadiu a ala da bateria e efetuou dois disparos contra Fabiano Francisco Ribeiro, 23 anos, que morreu no hospital.

Eram aproximadamente 22h40 quando a Unidos da Vila brilhava na avenida São Paulo, a principal da cidade. De acordo com testemunhas, o acusado Abner Cavalcanti Ribeiro, 19 anos, adentrou a bateria e disparou duas vezes, atingindo as costas de Fabiano, que trabalhava com serviços gerais e morava em Duartina.

A vítima foi encaminhada ao hospital da cidade, mas não resistiu e morreu em seguida. O desfile foi interrompido. Abner fugiu correndo e foi perseguido por populares e por integrantes da bateria da escola de samba. No caminho, efetuou alguns disparos para tentar conter as pessoas que o perseguiam.

Ele entrou numa quadra cujo portão estava aberto e se escondeu. O local foi cercado pelas polícias militar e civil e mais tarde o acusado foi detido. Ele estava com um revólver de calibre 32, de numeração raspada.

Três testemunhas, segundo a polícia, reconheceram Abner como o autor dos disparos. O carcereiro da delegacia, que fica em frente à quadra em que o acusado se escondeu, disse que o viu passar correndo à procura do esconderijo.

Abner negou a autoria do crime e a atribuiu a uma pessoa conhecida como “Beto”, que não foi localizada. A polícia colheu material residuográfico do acusado para averiguar a existência de resíduos de pólvora e chumbo nas mãos dele - indícios característicos de quando alguém efetua disparos com arma de fogo.

Abner está preso na Cadeia Pública de Duartina, mas deve ser transferido para a Cadeia Pública de Bauru. “Em razão da periculosidade dele”, afirma o delegado Antônio Augusto de Campos Lima. O rapaz estaria em Duartina há pouco tempo vindo da grande São Paulo.

O motivo do crime, segundo o delegado, seria uma rixa existente entre os dois envolvidos. Há algumas semanas, Fabiano teria agredido Abner.

O delegado Lima faz ressalvas quanto ao carnaval de rua de Duartina. “Quando começou, o carnaval de rua de Duartina era mais família. Agora está vindo muita gente de fora e a cidade não tem estrutura para isso: polícia, banheiros públicos etc. Eu acho que deve ser reavaliado se ele é benéfico ou não”, diz o delegado.

Carnaval de protesto

Duartina - A Escola de Samba Unidos da Vila deve voltar à avenida hoje à noite como forma de cumprir um acordo firmado junto à prefeitura e também como forma de protestar contra a violência que acabou com a festa popular no sábado, após o assassinato de um de seus integrantes.

A Unidos da Vila é a única que tinha o desfile programado para este ano em Duartina. A cidade estava sem carnaval de rua há dois anos.

Segundo Júlio César Vaine, um dos diretores da escola, a Unidos está desfilando praticamente só com a bateria, cerca de 70 componentes.

Dizendo-se chocado com a morte de sábado, Júlio, que também é policial civil na cidade, disse ontem que um grupo da escola tentava encorajar os demais integrantes para o desfile de hoje. “Acho que temos que sair sim. Sair para mostrar nossa indignação com a banalização da violência, para protestar e dizer que não podemos conviver mais com essa situação”, disse em tom de desabafo.

Na noite de sábado, quando Fabiano foi assassinado, Júlio disse que também tocava na bateria. “Vi ele caindo e achei que fosse um ataque epilético. Mas depois meu filho disse que era tiro”, contou. De acordo com Júlio, um público de aproximadamente 4 mil pessoas assistia ao desfile. “Foi um choque para todos”.

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