Economia & Negócios

Cartão é cômodo e mais seguro, mas comércio reclama

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Um estudo divulgado pela Credicard sobre o setor de cartões de crédito aponta que as bandeiras nacionais estão ganhando espaço nas compras relacionadas ao turismo interno. No entanto, o uso de cartões tem se disseminado em todos os setores do comércio varejista, trazendo comodidade para os consumidores e uma reclamação geral: as altas taxas de administração.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru, Cássio Carvalho, admite que a questão dos cartões é uma faca de dois gumes. Se por um lado eles trazem segurança ao lojista contra a inadimplência, por outro representam um custo extra ao qual nem todos podem se dar ao luxo de ter. “Muitos estão aderindo ao cartão, apesar do custo absurdo, devido à segurança que ele proporciona”, diz.

As operadoras de cartão de crédito cobram entre 2,5% e 4% do valor da compra como taxa de administração. Além disso, o Código de Defesa do Consumidor prevê que, nas vendas à vista com cartão, seja praticado o mesmo preço para compras com cheque ou dinheiro. O problema é que, após a venda, o lojista só recebe o dinheiro após 30 dias.

“O lojista vende no mesmo preço à vista, vai ter que ficar esperando 30 a 40 dias para ver a cor do dinheiro, e quando vê, de 2,5% a 4% já foram podados pelas administradoras de cartão. Para o lojista é duro”, analisa o economista Wagner Ismanhoto.

Segundo ele, o uso de cartões de crédito e débito está num ritmo crescente, mas ainda não é tão difundido como em países economicamente mais desenvolvidos. O economista declara que vê “n” vantagens no uso do dinheiro de plástico pela população, mas concorda que o comerciante - que já trabalha no limite - é prejudicado.

Além disso, Ismanhoto alerta para o risco do consumidor não conseguir quitar o débito com as operadoras dentro do prazo. “Os juros cobrados são muito altos, algo entre 9% e 12% ao mês”, afirma.

Para tentar driblar os altos custos de trabalhar com cartão, os donos de postos de combustível pretendem lançar o Gascard, um cartão específico para uso em seus estabelecimentos. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) de Bauru, Sebastião Homero Gomes, o Gascard deve chegar ao mercado em abril.

Com o cartão específico, que está sendo desenvolvido em parceria com uma instituição financeira, os empresários do setor de combustíveis esperam pagar apenas de 1% a 1,5% do valor da venda para a administração. Para Homero, as taxas atuais são “astronômicas”, e correspondem a cerca de R$ 0,08 por litro de gasolina.

A margem média de faturamento do setor não passa de R$ 0,30 por litro, o que faz com que alguns empresários deixem de aceitar pagamento com cartão quando há algum tipo de promoção - que faz com que a margem diminua.

Ainda, Homero conta que os postos têm de pagar cerca de R$ 80,00 mensais pelo aluguel da máquina leitora de cartões, além de uma linha telefônica específica para as transações. “Fica em torno de R$ 200,00 só para manter a máquina”, diz.

De acordo com o presidente do Sincopetro, proprietário de dois postos em Bauru, o uso do cartão aumentou de 10% a 20% no último ano e corresponde a 5% do seu faturamento. “Mas eu sei de posto em que (o uso do cartão) chega de 40% a 50% do faturamento”, afirma Homero.

Parceria

Por outro lado, quem tem cacife banca sua própria família de cartões, como é o caso de uma rede de supermercados instalada em Bauru. Em parceria com administradoras, a rede possibilita aos consumidores vendas a prazo sem juros mediante cartão e garante crescente segurança contra a inadimplência.

De acordo com a assessoria de imprensa do grupo, as vendas com cartão corresponderam a 29,1% do total em 2001. No ano passado, a fatia cresceu quase três pontos percentuais, passando para 31,9% do total de vendas. Em contrapartida, as vendas a prazo (com cheque) caíram de 11% em 2001 para 7,9% no ano passado.

As demais modalidades de pagamento terminaram 2002 praticamente inalteradas em relação ao ano anterior. As vendas à vista (com dinheiro ou cheque) fecharam o ano somando 53,7% e as vendas com tíquetes corresponderam a 6,5% do total.

Para a assessoria da rede, os números demonstram que, de um ano para outro, houve uma significativa migração dos cheques pré-datados para o cartão de crédito, o que significa, principalmente, mais segurança para a saúde financeira da empresa.

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