Jaú - A Polícia Civil está investigando dois casos de estelionatos praticados em Jaú sendo que um deles, envolvendo um falso empresário do ramo calçadista, teve início em setembro do ano passado e o principal acusado já está detido. Num outro golpe, em que duas motos foram levadas, pouco se sabe do golpista que pela ousadia surpreendeu até a polícia, no último dia 27.
O primeiro caso, de acordo com o delegado Edson Maldonado, começou com a chegada em Jaú de um rapaz de Campinas. Ele apresentou-se a comerciantes e fabricantes do setor calçadista da cidade com o nome falso de Rodrigo Soares da Cunha Júnior quando na realidade chama-se Antonio Carlos Solha Júnior, 34 anos.
Em setembro, quando começou a fazer as primeiras compras de sapatos, alegando que estava montando uma loja em São Carlos, Júnior pagava em dia pelas mercadorias adquiridas, segundo os fabricantes. Mas, no final do ano passou a levar quantidades maiores de calçado pagando com cheques em nome de sua falsa identidade e também de uma empresa fantasma.
Após essas compras em Jaú, o rapaz foi para a cidade de Álvaro de Carvalho onde fez amizades, arranjou namorada e, segundo a polícia, depois de conquistar a confiança dos moradores, passou pelo menos 17 cheques frios.
Em Álvaro de Carvalho ele teria dito que montaria uma fábrica de calçados o que geraria cerca de 30 empregos. Mas após emitir os cheques sem fundo o rapaz desapareceu da cidade. Foi então para São Carlos onde fez novas amizades e tentava abrir uma loja de calçados.
Ocorreu, porém, que em São Carlos as atitudes de Júnior levantaram suspeitas e a polícia passou a investigá-lo, descobrindo sua falsa identidade. Ele foi então detido para averiguações no dia 12 de fevereiro último. Durante uma revista na loja que era montada descobriu-se aproximadamente 1.000 pares de sapatos, a maioria sem nota fiscal.
As investigações prosseguiram e a polícia constatou que os sapatos que seriam vendidos em São Carlos eram os mesmos que haviam sido adquiridos de forma ilegal em Jaú. Chegou-se também às vítimas de Álvaro de Carvalho onde a polícia desta cidade já havia pedido a prisão preventiva do suspeito. Júnior foi então levado para a cadeia de Garça, comarca a qual pertence Álvaro de Carvalho, onde aguarda decisão da Justiça.
Ainda segundo o delegado Maldonado, a polícia não descarta a possibilidade de surgirem outras vítimas. “Temos mais cidades na região que fabricam calçados, portanto, pedimos que possíveis outras vítimas entrem em contato com a políciaâ€. O telefone do 2º Distrito Policial de Jaú é o (14) 622-8838.
Sonegação
O delegado Maldonado disse que a localização dos calçados em São Carlos trouxe à tona um outro caso a ser apurado. É que a maioria das vendas foi feita sem a Nota Fiscal, o que se configura crime de sonegação fiscal por parte de alguns comerciantes de Jaú.
De acordo com o delegado Maldonado, até ontem apenas um comerciante havia apresentado a nota e portanto comprovado a posse do produto o que o habilitava para reaver os sapatos. Essa parte das investigações já está sendo encaminhada à Delegacia da Fazenda.