“Neste Natal, resolvi passear lá na represa de Jurumirim para pescar uns lambaris e comer frito com arroz e farofa. Antes de chegar à represa, passei por Arandu, onde fui a uma padaria para comprar pães e bebidas. Naquela oportunidade, resolvi, ali mesmo, beber uma cerveja ao lado de umas pessoas que conversavam sobre pescaria. Entrei naquele bate-papo gostoso junto com o Zé Mendes, João Rôia e o Belo e conversamos muito sobre pesca e as verdades de pescadores.
O Zé Mendes começou a falar da sua última pescaria no rio Negro, na região entre Roraima e Manaus, no Estado do Amazonas, onde esteve hospedado no luxuoso Hotel Tropical. A dona Antônia Matilde da Cruz, esposa do Zé Mendes, veio até a mesa comunicando que o almoço já estava pronto. O Zé Mendes se levantou e junto com o João Rôia e o Belo me convidou para almoçar com eles, convite recusado por mim, tendo em vista que o meu destino era a represa de Jurumirim. O Zé Mendes insistiu no convite e, com a minha recusa, me pediu que o acompanhasse para só tomar um vinho de confraternização pelo grande dia de Natal e que aceitei prontamente.
Enquanto tomávamos o vinho, a dona Antônia Matilde começou a colocar sobre a mesa umas assadeiras contendo: leitoa, peru, carneiro, cabrito, frango, macarronada, queijo ralado, arroz, maionese, legumes cozidos e salada a alface com tomate. Ao ver toda aquela comida sobre a mesa, comecei a ficar com água na boca e já anunciei que eu iria fazer a vontade dos amigos e de dona Antônia aceitando o convite para almoçar junto com eles todos.
Durante o almoço, continuamos com o nosso bate-papo sobre pesca. O Zé Mendes nos contou que lá no rio Negro ele havia fisgado uma pirarara de 277 quilos, não conseguindo retirá-la da água, precisando da ajuda de Domingos Corsa o seu companheiro de pesca naquele local. Disse o Zé Mendes que ele o companheiro passaram a noite toda acordados porque aquele peixe siluriforme de grandes proporções provocou torção na coluna de ambos, proporcionando horríveis dores lombares.
O João Rôia comentou que ele também, numa ocasião, permaneceu 24 horas sem poder dormir por causa de uma pulga morta, que estava em sua cama. O Zé Mendes estranhou o fato de uma pulga morta causar tamanho transtorno ao ponto do João Rôia permaneceu 24 horas sem poder dormir. Na oportunidade, ele esclareceu que não foi a pulga morta a causadora, mas as 277 amigas e parentes dela que vieram para o velório e enterro.
Após todos esses fatos ocorridos na casa do Zé Mendes, não fui mais para a represa de Jurumirim dado o avançado da hora e retornei para Bauru meditando na viagem de volta sobre os fatos acontecidos e confirmando uma assertiva de que: “As aves iguais voam sempre juntasâ€!â€
Dorival Nogueira é pescador e contador de histórias