Economia & Negócios

Sérgio Branco ganha apoio para ficar na subdelegacia

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A definição para a mudança ou não de comando na subdelegacia regional do Trabalho em Bauru depende de fatores políticos. Sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) vêm fazendo gestão junto à direção estadual do órgão para a indicação de nomes para substituir Sérgio Branco. Mas outras entidades entendem que o atual subdelegado deve ser mantido no cargo.

Coordenador da pasta desde 1995 e auditor concursado desde 1985, Branco colocou o cargo à disposição e aguarda a decisão do delegado estadual do Trabalho, Eiguiberto Delabarba Navarro. A assessoria de imprensa em São Paulo informa que a situação será definida nos próximos dias.

Mas o representante do Sindicato da Construção Civil em Bauru, Cláudio da Silva Gomes, diz que a questão já está decidida. “Eu conversei pessoalmente com o Guiba (Eiguiberto) e ele me disse que a Maria Rita Maringoni seria nomeada nas próximas horas”, afirma.

Entretanto, Silva entende que o tema não é polêmico. “Que fique claro que nós não temos nenhum problema com o Sérgio Branco. A questão da sucessão tem cunho político. O PT venceu a eleição e é legítimo que os grupos vinculados ao partido discutam as políticas para os órgãos públicos”, cita.

Gomes declara que a única restrição colocada na reunião com a Delegacia do Trabalho não foi em relação à gestão de Branco. “Consideramos inclusive que o Sérgio fez um bom trabalho. Mas nós exigimos que ocorram mudanças na assessoria da subdelegacia, onde os trabalhadores têm restrições”, menciona.

O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, também pontua a questão como política. “Não tem nada em relação ao Sérgio. Não existe problema quanto à sua ação como profissional. É que a ascensão do PT ao poder provocou a natural discussão política sobre sucessão nos órgãos que interessam aos trabalhadores”, acrescenta.

O subdelegado dá o mesmo tom à discussão sobre o cargo que ocupa. “Com a mudança política e a ascensão ao cargo dos indicados para o novo governo, é absolutamente natural o pedido de exoneração da função de subdelegado. A mudança de governo abre espaço para a possibilidade de alteração nos cargos indicados pelo novo grupo”, cita.

Branco salienta que não é a primeira vez que isso ocorre. “Coloquei a função de subdelegado à disposição da diretoria estadual assim como ocorreu nas transições dos últimos governos. Agora, novamente assinei o pedido e estou à disposição para retomar as funções de auditor médico”, menciona.

Ele acha legítimo o posicionamento. “A Central Única dos Trabalhadores (CUT) defende a indicação de outros nomes de acordo com suas diretrizes e é legítima a postura da central sindical diante do novo governo”, cita.

Sobre os indicados, a CUT sugeriu dois nomes. O Sindicato da Construção Civil apóia José Eduardo Rubo e os Eletricitários sugerem Maria Rita Maringoni. Ambos são auditores e funcionários de carreira do órgão.

Entretanto, não há nenhuma garantia de que a direção estadual vá utilizar as indicações para a escolha. A presidente municipal do PT, Estela Almagro, vem repetindo que os cargos de terceiro e quarto escalão do governo federal vão passar diretamente pelo ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu. Já os cargos estaduais seriam discutidos pelas bancadas federal e estadual de deputados da legenda.

A expectativa pela definição abriu espaço para que outros representantes das classes patronal e dos trabalhadores se manifestassem. Gestões nesse sentido estão em andamento por parte do Sindicato dos Frentistas, dos Trabalhadores Rurais e de segmentos de outras regiões paulistas cobertas pela subdelegacia, como Penápolis e Itapeva. Os grupos apóiam o trabalho de Branco.

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