Polícia

Ladrões ferem comerciante com tiro

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Dois homens ainda não-identificados tentaram assaltar um ferro-velho localizado no cruzamento da rua Alagoas com avenida Cruzeiro do Sul, Vila Monlevade, na manhã de ontem. A vítima, Eleno Alves dos Santos, 56 anos, reagiu e foi baleado no peito. Mesmo ferido, ele embarcou em seu carro e saiu em perseguição aos assaltantes.

A tentativa de assalto aconteceu por volta das 10h. No estabelecimento comercial estavam três funcionários, a vítima e um cliente. Os ladrões, um moreno alto encapuzado e um claro aparentando ser adolescente, entraram sem serem notados e surpreenderam o comerciante próximo do caixa.

O primeiro a ser abordado pelo ladrão armado foi o cliente, Hélio Márcio Ferreira da Silva. “Eu estava de costas para a entrada. O moreno encapuzado bateu nas minhas costas e falou: “Mano, fica na sua”. Ao mesmo tempo que ergueu a camisa e mostrou o revólver.”

Silva achou que fosse uma brincadeira e ainda riu. “Eu não acreditei, mas no momento seguinte vi o segundo assaltante. O moreno mandava o mais claro revistar a gente. Só então acreditei.”

Segundo o cliente, os ladrões foram direto para cima do comerciante. “Eles avisaram que era um assalto e o seu Eleno reagiu. Ele disse: Vocês vão ter que atirar, vagabundos.”

O ladrão, na versão de Silva, só atirou quando um funcionário do ferro-velho, partiu para cima dele. “O senhor Laurindo veio em socorro ao patrão, portando uma faca. Um assaltante mais claro jogou um carrinho na frente dele e ele tropeçou. Saí correndo.”

Na saída, Silva ouviu os tiros. “Ouvi três tiros e, quando pretendia socorrer o senhor Eleno, vi ele saindo com o carro em direção à rodovia Marechal Rondon.”

O funcionário Laurindo Alves dos Santos, que há dois anos trabalha no ferro-velho, estava descascando fios quando os ladrões entraram. “Eu achei que era uma brincadeira. Mas quando vi que eles foram para cima do patrão, eu acreditei. Com a faca que eu estava na mão fui na defesa do Eleno.”

Porém, a reação do funcionário foi impedida por um carrinho, jogado pelo ladrão mais claro. “Ele jogou um carrinho de supermercado na minha frente. Eu tropecei e a faca quebrou em três pedaços.”

Santos lembra que viu o encapuzado atirando. “Ele disparou um tiro no chão, outro no patrão e, na saída, fez mais um disparo.”

Não levou o dinheiro

O funcionário do estabelecimento Mauro Rodrigues da Silva viu quando a dupla entrou no ferro-velho. “O encapuzado mostrou a arma, acho que era um revólver 38. O ladrão mais claro não aparentava estar armado.”

Apesar dos disparos e da correria, os assaltantes não conseguiram levar o dinheiro do caixa. “O patrão reagiu. Quando eu vi o que estava acontecendo, me escondi.”

Correram para a Rondon

O funcionário Ari de Oliveira Filho inicialmente achou que era uma brincadeira. “Nunca tinha presenciado um assalto. Acreditei quando vi o revólver.”

Oliveira Filho lembra que o patrão, mesmo ferido, embarcou em seu carro. “Ele subiu no carro e foi atrás dos ladrões, que fugiram a pé em direção a rodovia Marechal Rondon.”

O funcionário frisa que só ouviu o patrão gritando para acionar a polícia. “Ele saiu correndo e gritou para chamarmos a polícia.”

Os assaltantes foram perseguidos até o quilômetro 340 mais 800 metros, sob a passarela que liga a Universidade do Sagrado Coração à Vila Vicentina. No local, o comerciante foi alcançado por uma viatura policial que o socorreu até Pronto-Socorro Municipal.”

A passarela sobre a Rondon ficou repleta de populares que acompanharam a ação da Polícia Militar. Os ladrões não foram localizados até o fechamento desta edição. Um suspeito foi levado para que os funcionários fizessem o reconhecimento, porém o resultado foi negativo.

O caso foi registrado no 4 º Distrito Policial. Segundo o delegado Dinair José da Silva, a polícia já tem dois suspeitos, que estão foragidos. “Vamos angariar provas para confirmar a autoria”. O crime deve ser esclarecido nos próximos dias, prevê a autoridade policial.

Um dos três tiros disparados pelos assaltantes atingiu o comerciante. O tiro, provavelmente de calibre 38, pegou de raspão no polegar direito da vítima e, posteriormente, atingiu o lado direito do peito. Ele foi socorrido consciente e até o final da tarde de ontem passava bem.

De acordo com informações extra-oficiais, a bala ficou alojada na costela.

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