Economia & Negócios

Remédios tabelados estão mais caros

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Conforme já havia sido divulgado pelo governo em fevereiro, os medicamentos que ainda são tabelados - cuja quantidade corresponde de 85% a 90% do total comercializado nas drogarias - já estão sendo repassados pelos fabricantes ao varejo com aumento de 8,6%, em média. Conseqüentemente, os novos preços já vigoram nas farmácias.

Por outro lado, os medicamentos que tiveram o preço liberado pelo governo no mês passado - cerca de 260, que não necessitam de receita médica para a compra - ainda estão sendo comprados junto aos laboratórios pelos mesmos preços. A informação é de proprietários de farmácias em Bauru, consultados ontem pela reportagem.

Isso não significa que, nas próximas compras efetuadas por eles, os fabricantes continuem sem repassar algum aumento, já que as encomendas são feitas gradativamente pelas farmácias. Contudo, os empresários do setor ouvidos pelo JC continuam descartando a possibilidade de aumentos abusivos, já que a concorrência é bastante acirrada neste segmento.

O comerciante Antônio Augusto Gomes, que dirige uma rede de drogarias na cidade, diz que as novas tabelas dos medicamentos com reajuste estão sendo distribuídas às farmácias desde o início deste mês. Os índices de aumento variam entre os remédios, mas não podem chegar a 10% por determinação do governo.

“O reajuste médio ficou dentro do que já era previsto. O que está ocorrendo é o seguinte: se algum remédio tem o preço reajustado em mais de 8%, a compensação é feita através de um reajuste menor para outros. Existem medicamentos que subiram apenas 4%, por exemplo”, explica Gomes.

Compras

De acordo com ele, as compras que fez nesta semana de medicamentos cujos preços foram liberados pelo governo não sofreram alteração de valores. Contudo, o comerciante ainda vai comprar outros remédios dessa lista. Se nas próximas aquisições forem verificados aumentos, o repasse ao consumidor será inevitável.

“Mesmo assim, continuo elogiando a decisão do governo de liberar os preços. Como a concorrência entre os laboratórios farmacêuticos é muito grande, se algum tentar efetuar aumentos abusivos será engolido pelos outros. O consumidor tem primado, cada vez mais, por preços baixos na hora de comprar medicamentos”, observa Gomes.

Rui Pagano Júnior, proprietário de outra rede de drogarias, confirma a mesma média de reajuste dos medicamentos tabelados nas compras que efetuou desde o início de março. Segundo o comerciante, dos remédios liberados pelo governo que ele comprou dos fabricantes até o momento, nenhum aumento foi verificado.

“Os remédios que estão com preço novo nas minhas farmácias são aqueles que eu já comprei com reajuste, no caso dos tabelados. Os medicamentos que foram liberados continuam sendo vendidos para mim pelos mesmos preços de antes da medida do governo. Mas isso vale para as encomendas que eu fiz até hoje (ontem)”, ressalta.

Sem abusos

O empresário também está confiante na sua avaliação de que os abusos de preços entre os medicamentos liberados não devem ocorrer, situação que ainda é temida por muitos consumidores. Essa mesma análise já havia sido feita por ele e Antônio Augusto Gomes ao JC, em matéria publicada no último dia 22.

Gomes também observa que o fato do dólar estar se mantendo estável diante do real ultimamente é um fator positivo neste caso. Isso porque grande parte da matéria-prima que compõe os medicamentos que tiveram os preços liberados é importada.

O comerciante Álvaro Lima diz que alguns dos remédios que não necessitam de receita médica e que foram adquiridos por ele desde o início do mês sofreram ligeiras altas. Esses aumentos estariam seguindo o nível de reajuste dos medicamentos tabelados, não excedendo a média de 8,6%.

Lima também enxerga o estímulo do governo à concorrência entre os laboratórios como um fator positivo para os consumidores.

“Neste setor, o balconista está sempre do lado do cliente. Se uma pessoa pede um medicamento que sofreu reajuste, certamente o funcionário da farmácia que está atendendo-o irá indicar outro que exerce o mesmo efeito e custa menos. A indústria sabe que isso ocorre, e portanto, nenhum fabricante é louco de efetuar aumentos abusivos”, avalia.

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