Encerrado o período carnavalesco, é tempo de se discutir as causas de Bauru ficar mais uma vez sem a sua maior festa popular. Como nos anos anteriores, por falhas administrativas, não importa se públicas ou privadas, nossa cidade ficou sem o seu tradicional Carnaval no Sambódromo. Numa espécie de “Affirmative Act†ou de “política compensatóriaâ€, algumas de nossas Escolas de Samba fizeram apresentações em seus bairros (“Azulão do Morroâ€, no Jaraguá; “Coroa Imperial†e “Flor de Laranjeiraâ€, no Geisel; “Mocidadeâ€, na Falcão; e “Tradiçãoâ€, no Mary Dota). A opinião da população a respeito pode ser expressa no título da matéria da jornalista Thaís da Silveira ( JC, de 3 março de 2003): “Na rua, folião não esquece Sambódromo†.
Por outro lado, algumas cidades da região, menores e sem suporte adequado (sambódromo), realizaram Carnaval de rua, com desfile de escolas de samba, escolha de rainhas e outros quesitos, inclusive, algumas com carnavalescos e escolas de Bauru. É uma autêntica inversão de valores que merece pesquisa adequada.
Entendemos que o Carnaval, além de proporcionar cultura, lazer e entretenimento, divulga a cidade, fomenta o turismo e incrementa a economia dinamizando o comércio, como à respeito expõe a matéria veiculada no Jornal da Cidade em 3 de março de 2003: “Carnaval impulsiona 52 setores da economiaâ€. O Carnaval é, sem dúvida, a maior, a mais importante, mais criativa, mais irreverente e mais popular de todas as festas do Brasil. É como um espelho pelo qual a sociedade se vê a si mesma. Ocasião ou oportunidade em que o “trabalho†se transfigura em tarefa, participação voluntária, livre escolha e, acima de tudo, em solidariedade, onde se observa a inversão de celebridades trabalhando-sambando para milhares de “trabalhadores-pobresâ€. É o período onde, como na Grécia antiga, “smel in anno licet insanire†(uma vez por ano é lícito endoidecer).
Nesse contexto, é triste e lamentável que em nossa cidade o Carnaval de rua, festa popular tradicional, não seja visto como a legítima (e talvez única) opção de lazer das classes menos favorecidas, do homem comum, fraco candidato a cidadão. O humilde folião anônimo, apaixonado por Carnaval e representante de ponderável parcela da população, ficará aguardando para o próximo ano uma nova oportunidade. (Tito Pereira - vice-presidente da Escola de Samba “Azulão do Morroâ€)