Bairros

Interdição de avenida gera transtorno

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Durante mais de dez dias, a interdição de um trecho da avenida Rodrigues Alves - uma das principais vias de acesso da cidade - gerou grandes transtornos para motoristas que trafegam pelo local e moradores daquela região.

O problema começou no dia 24 de janeiro, quando uma forte chuva levou parte da terra que fica sob o asfalto da avenida, na altura do Horto Florestal, provocando uma grande erosão. A situação foi agravada com a chuva do dia 17 de janeiro e a pista no sentido bairro-Centro foi interditada.

Somente no último final de semana meia pista da avenida foi liberada, permitindo a passagem lenta de veículos, mas evitando o longo desvio.

O resultado, durante esse período, é que todos os veículos que saíam da região do Distrito Industrial rumo ao Centro ou chegavam à cidade pela avenida Rodrigues Alves tiveram que fazer uma enorme volta. No trevo do Jardim Redentor, a saída era seguir pela avenida Hélio Pólice até a avenida Cruzeiro do Sul, que leva às imediações do Centro.

Como conseqüência, a avenida Cruzeiro do Sul teve sobrecarga de veículos principalmente nos horários de pico, provocando longas filas de carros, caminhões carregados e ônibus.

O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, acostumado a trafegar pelo local interditado, diz que a erosão aconteceu em um local estratégico.

“O principal é o risco a que se expõe as pessoas quando se aumenta tão intensamente o fluxo de uma via, quando isso não estava previsto. É uma região de serviços, com escolas e muitas empresas. Complicou bastante. Por essa região saem caminhões muito pesados que usam esse trecho. Minha preocupação maior é de haver um acidente”, expõe.

O diretor regional acredita que é necessário construir um aterro de forma adequada para evitar que o problema volte a acontecer futuramente.

Um empresário que trabalha no Distrito Industrial e não quis se identificar também queixou-se do desvio.

“Todo mundo está andando dois quilômetros e meio a mais. Do jeito que está a gasolina, quanto se gasta a mais por dia? E o tempo? As pessoas que almoçavam em casa não conseguem almoçar mais. Em uma hora de almoço não dá para fazer essa volta”, afirma.

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Bombeiros

As interdições recentes em acessos aos bairros de Bauru prejudicaram também o trabalho do Corpo de Bombeiros na cidade. O tempo médio para atendimento das ocorrências nas regiões afetadas aumentou.

De acordo com o 1.º tenente Luís Antônio França Carvalho, do Corpo de Bombeiros, os trajetos percorridos pelos caminhões e unidades de resgate aumentaram sensivelmente.

A interdição da ponte Ayrton Senna levou a uma diferença de 12 a 15 minutos para chegar a cada destino. Os veículos têm que trafegar pela rodovia Marechal Rondon e pelo trevo de Santa Luzia. â€œÉ um contorno muito grande”, diz Carvalho.

Já a interdição da avenida Rodrigues Alves, na altura do Horto Florestal, aumentou em média de três a quatro minutos o tempo dos percursos para atender às ocorrências da região.

Segundo o 1.º tenente, pode parecer pouco tempo, mas os minutos são essenciais em incêndios ou acidentes graves. “Quatro minutos é pouco, mas numa ocorrência que necessita agilidade - como um acidente de trânsito com vítima, hemorragias, paradas cárdio-respiratórias -, pode fazer a grande diferença”, diz Carvalho.

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Moradores reclamam

Além de condutores, os moradores das ruas e avenidas que serviram de desvio para os veículos impedidos de trafegar pela avenida Rodrigues Alves também viveram dias de sufoco.

Na avenida Hélio Pólice, o barulho e o intenso fluxo de veículos deixou a comunidade descontente. “Está péssimo. Era uma avenida bem mais tranqüila”, diz Francisco Rodrigues.

Silvia Rodrigues concorda. “Está difícil para atravessar as crianças que vêm da escola para cá. A gente fica um tempão esperando. Atrapalha no telefone e até numa conversa normal dentro de casa”, afirma.

Luciana Marques também reclama dos ruídos gerados pelos ônibus e caminhões. “Está horrível o trânsito aqui. O barulho está muito intenso. Não dá para ver televisão. Tem hora em que não dá para atravessar a rua. Fica uma fila enorme de carros”, expõe.

Emerson Ferreira passa todos os dias de carro pelo local e sentiu a diferença. “Está difícil rodar aqui. Ninguém consegue entrar na avenida; ninguém respeita. Aumentou 100% o fluxo de veículos”, conta.

Assim como no Núcleo Mary Dota, os comerciantes também são exceção nas proximidades da avenida Cruzeiro do Sul. Valmir dos Anjos, dono de um bar, disse que ganhou com o desvio. “Para mim, foi até melhor. Muita gente passa e toma cerveja, refrigerante. Melhorou uns 30% a venda de bebidas. Para mim ficou bom, mas para o trânsito ficou ruim”, explica.

Aparecido Donizete, que vende côcos na avenida, também faturou um pouco mais. Durante a interdição, ele vendeu de 20 a 30 unidades a mais por dia.

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