Visando reduzir despesas com medicamentos, a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) vem investindo em um laboratório próprio de manipulação. Há cerca de quatro meses, ampliou um tímido espaço que já existia dentro do Hospital Manoel de Abreu e, desde então, vem aumentando gradativamente a produção de remédios utilizados pelos hospitais que administra - Base, Maternidade Santa Isabel e o próprio Manoel de Abreu.
A Farmacotécnica da AHB, cuja inauguração oficial deve ser marcada ainda para este mês, está permitindo uma economia mensal de aproximadamente R$ 50 mil com medicamentos, segundo estima a farmacêutica-chefe da unidade, Juliana Pinelli. “No momento produzimos 125 itens diferentes, mas nossa intenção é atingir a marca de 200 em breve. Só não tenho como precisar quanto tempo isso levará porque cada novo remédio depende de uma série de testesâ€, justifica.
O laboratório interno existe há mais de quatro anos, mas as instalações antigas não permitiam traçar metas mais ousadas. Hoje, depois que o local dobrou em tamanho e recebeu equipamentos modernos, três estudantes de farmácia trabalham sob a supervisão de Juliana, que já avisa sobre a necessidade iminente de contratar mais um funcionário.
Animada com os resultados e, principalmente, com os elogios do corpo clínico - que estaria aceitando muito bem os produtos da farmacotécnica -, Juliana cogita o ideal de chegar um dia a guarnecer 80% de toda a demanda das farmácias dos três hospitais.
“A economia que estamos gerando tem se revertido também para incrementar a própria farmácia, que deve ganhar em breve um computador e uma seladora de blister (embalagem destacável onde normalmente as cápsulas industrializadas são acondicionadas). Essas melhorias, ainda que gradativas, abrem perspectivas para acelerarmos a produção tanto em quantidade quanto em tipos de medicamentosâ€, diz Juliana.
No momento, a farmacotécnica produz algo em torno de 5 mil cápsulas por mês, além de anti-sépticos, xaropes e pomadas. De lá saem antiinflamatórios, vitaminas, analgésicos, antitérmicos, antifúngicos, cardiotônicos, diuréticos, antiulcerosos e uma dezena de outros medicamentos utilizados em larga escala nos hospitais.
O destaque da Farmacotécnica da AHB, assinala Juliana, fica por conta de uma pomada cicatrizante administrada em pacientes da Unidade Queimados. “Ela está sendo muito bem aceita e é o medicamento que mais gera economia. O custo aqui é de R$ 18,00, mas a mesma fórmula, mesmo manipulada, não sai por menos de R$ 80,00 no mercadoâ€, destaca a farmacêutica.
De uma forma geral, os remédios manipulados custam de 60% a 70% menos do que os industrializados, sem, no entanto, perderem em qualidade. Segundo a chefe da farmacotécnica, as matérias-primas são de primeira linha para garantir a satisfação dos médicos e a eficácia dos tratamentos nos pacientes.
“Aos poucos, estamos acrescentando novos itens à nossa lista. O processo é demorado porque se gasta no mínimo um mês para testar uma fórmula. É preciso submetê-las ao ambiente para saber seu prazo de validade. Aqui, trabalhamos com genéricos, ou seja, não manipulamos fórmulas prescritas. Tudo é extraído de um compêndio médico, o que exige todo um cuidado especial antes do usoâ€, explica Juliana.