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Quem pode vencer?


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Mais de mil soldados e centenas de oficiais do Exército estão confinados em muitas das principais artérias do querido Rio de Janeiro. E nelas deverão pemanecer durante mais um mês, por determinação de seu alto comando, a pedido do Governo do Estado, depois de já tê-lo feito durante os gloriosos e longos desfiles do Carnaval. Não o fizeram, com certeza, só porque a governadoria carioca teria tido a sábia intenção de proporcionar também a essas numerosas falanges de milicianos o ensejo, facultado amplamente à fabulosa população citadina, de presenciar e até aplaudir aquelas belíssimas exibições de carros alegóricos e escolas de samba, sabidamente em quantidade bem exorbitante. Acontece que a bela governadora Rosinha Matheus, emprensada pela criminalidade vertiginosamente crescente na ex-Capital da República, valeu-se do pretexto para colocar em execução um plano repressivo, capaz de obstar totalmente a ação delituosa da malta de marginais, desarticulando o tráfico de drogas, desarmando as favelas e dando um soleníssimo basta. ainda que temporário, na maior onda de terrorismo já deflagrada ali pela mais gigantesca das atrocidades que a nossa história registra. Seria assim como uma oportunidade excepcional de trégua à violência organizada. Obtiveram os milicianos algum resultado prático, mas não tudo quanto necessário, pois, mesmo no decurso dos folguedos, vários conflitos apareceram por conta do ousadismo maligno, enquanto outros continuam acontecendo agora em vários pontos da Cidade Maravilhosa, com balas perdidas lançadas contra transeuntes, infelizmente crianças, saques a supermercados, quebra-quebras nas vias públicas e muitos outros atos de terrorismo, exigindo a interferência inclusive de contingentes do Corpo de Bombeiros. A consequência da desmedida continuidade dos ataques, aí está nos olhos e ouvidos da grande sociedade, achando o comando do Exército ter pela frente um tristonho cenário de crise social, para cujo combate não se sente devidamente aparelhado com um esquema que possa ser executado a inteiro contento seu e da coletividade, ou seja, produzir resultados satisfatórios contra a grave enfermidade, que se apossou não só do Rio de Janeiro como de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Campo Grande e outras cidades grandes. Como acabar com cenário tão medonho se os arsenais dos revolucionários se revelam melhor aparelhados que os das polícias militares? Quem será que pode mais para vencer a guerra? Difícil superar uma crise como essa, com suficientes dimensões para não serem prognosticadas por maior que seja a percepção e a argúcia das autoridades constituídas? É a opinião geral! (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional do Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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