Regional

Fita registra detalhes de homicídio

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - A Polícia Civil de Jaú, através da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), esclareceu o assassinato do mototaxista Antônio Aparecido André, 37 anos, morto no dia 25 de janeiro deste ano. A polícia encontrou ontem à tarde, na casa de um dos acusados do crime, uma fita cassete onde foi registrada com riqueza de detalhes o espancamento da vítima e os momentos que antecederam sua morte.

Fernando Aparecido Antoneli, 28, e Alex Aparecido da Silva, 23 anos, confessaram o assassinato e foram presos por homicídio qualificado. Ambos tiveram a prisão temporária decretada. A pena prevista para o crime vai de 12 a 30 anos de prisão.

Segundo o delegado da DIG, Edmilson Marcos Bataier, o mototaxista teria sido morto porque mantinha um relacionamento amoroso com a esposa do detento José Adriano Antoneli, da Penitenciária I de Bauru. Segundo Bataier, Fernando Antoneli, irmão do detento, teria ficado revoltado ao descobrir a traição e juntamente com Alex teria planejado a morte do mototaxista.

No dia do crime, Fernando teria solicitado uma corrida do mototaxista até um pesqueiro localizado na estrada do Parra, zona rural de Jaú, enquanto Alex teria aguardado a vítima em um veículo Passat. Quando trafegava com a motocicleta pelo local, a vítima teria sido obrigada a parar, iniciando-se um intenso interrogatório sobre o relacionamento do mototaxista com a esposa do detento, identificada apenas como Kátia.

Na fita, segundo o delegado, a vítima implora para não ser morta e os criminosos cobram insistentemente para que o mototaxista confesse a traição. Diante das negativas, a vítima é espancada violentamente. “Ele implora para não ser morto. Num determinado momento ele corre e após uma breve corrida a gente escuta o disparo”, afirma Bataier.

Os criminosos confessaram, segundo o delegado, que só atiraram depois que o mototaxista confessou que havia mantido relações sexuais com Kely. De acordo com Bataier, os assassinos tinham como objetivo mostrar o conteúdo da fita ao detento José Adriano, para provar que ele estava sendo traído e que já havia sindo vingado.

O delegado afirma que o crime teve requintes de crueldade e a fita chocou até mesmo aqueles que já tem experiência na área policial. â€œÉ impressionate você ver o apelo pela vida que a vítima faz. E eles, de forma cruel, dizem que vão matar, espancam a vítima com violência e finalmente a executam. Você fica emocionado de ver o quanto a vítima implora para não ser assassinada”, relata.

Desvendando o caso

O mototaxista foi encontrado morto pela polícia, próximo à motocicleta, com um tiro no peito e sinais de espancamento, sem que nenhum objeto de valor tivesse sido levado. Afastada a hipótese de latrocínio, a polícia passou a investigar o perfil da vítima e descobriu que ela mantinha relacionamentos extra-conjugais com mulheres casadas.

Durante as investigações, o envolvimento do mototaxista com a esposa do detento da Penitenciária I de Bauru despertou a atenção da DIG. A partir dessa descoberta, a polícia direcionou suas investigações sobre o caso.

No último dia 28, o acusado Alex foi preso por tráfico de entorpecente. Ao ser interrogado, a polícia constatou que ele tinha envolvimento no assassinato do mototaxista. Através dele, a polícia chegou ao segundo acusado.

Ontem, a polícia decretou a prisão temporária de Fernando e deslocou-se até sua residência, no bairro São Crispin II, com o objetivo de encontrar a arma do crime.

Durante as buscas, para a surpresa da polícia, foi encontrada dentro de um urso de pelúcia uma fita cassete pequena, envolta em fita adesiva, que continha a gravação sonora do que havia ocorrido com a vítima nos seus últimos minutos de vida.

Segundo o delegado, antes de ser descoberta a fita, Fernando tentou assumir a responsabilidade do crime e proteger Alex. No entanto, segundo o delegado, o registro sonoro dos fatos foi decisivo para comprovar a participação de ambos os criminosos no assassinato, sendo Alex, inclusive, constatado como o autor dos disparos.

Comentários

Comentários