Economia & Negócios

Parcelamentos de IPVA e Dpvat aquecem setor de despachantes

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O ramo de prestação de serviço de despachante começa a ganhar fôlego com o oferecimento de parcelamento de débitos em Bauru. No centro da cidade, alguns estabelecimentos já fazem propaganda do serviço. Para representantes do setor, a crise econômica e o arrocho nos salários levaram contribuintes a parcelar dívidas com Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e outras taxas.

A pressão sobre os orçamentos domésticos e o desemprego, vilões da economia por um lado, despontam como fortes aliados do aumento das vendas de serviços entre os despachantes. A crise, aliás, tem forçado usuários de veículos a procurar os despachantes para saldar débitos antes pagos à vista, como licenciamento e transferência.

Mas apesar do novo filão, apenas parte dos estabelecimentos divulgam esse tipo de produto. Não é o caso da proprietária de uma empresa de despachante Vitória, Cristina Fragoso Alves. Ela já colhe frutos do serviço. “Estamos oferecendo o parcelamento com banco de débitos de taxas como licenciamento e transferência de veículos há cerca de dois anos. Eu já parcelava há mais de dez anos, mas era para um número menor de clientes que já estavam acostumados”, cita.

O desaquecimento do setor - provocado sobretudo pela entrada do sistema informatizado (on line) no ramo - gerou a necessidade de buscar de fontes alternativas. “Nos últimos dois anos surgiram bancos interessados em oferecer o parcelamento. O número de opções aumentou para quem tem débito. O despachante viu no negócio uma opção”, conta.

Mas para ela, o que antes era uma experiência se tornou um chamariz de novos clientes. “Hoje, nós hoje somos intermediários entre o cliente e o banco no parcelamento dos débitos de IPVA, seguro, licenciamentos atrasados, transferência. Isso tudo pode ser parcelado em até 12 vezes, com ou sem entrada. Aqueceu as vendas”, avalia.

Outras fontes de parcelamento são o seguro obrigatório (Dpvat) e as multas de solo. Mas no último caso, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) também parcela.

O número de parcelas é de acordo com o período que resta para o licenciamento. Segundo o diretor da Emdurb, Roberto Bil Barbosa, a procura é pequena. “Dependendo da data do licenciamento, pode parcelar em até 12 vezes. A vantagem é que o valor é fixo, não tem juro. Mas a procura ainda é muito pequena”, conta.

No caso da Emdurb, se o usuário não quitar o débito parcelado o veículo tem o licenciamento bloqueado porque o sistema não dá baixa na multa. O valor mínimo para a parcela é de cerca de R$ 30,00. O sistema foi criado por meio de lei municipal.

Com juros

Cristina Alves deixa claro que parcelamento via banco significa financiar. E para emprestar dinheiro de banqueiro, mesmo em quantias pequenas, paga-se juros. â€œÉ claro que têm encargos bancários. Não existe parcelamento sem juros sobre a dívida. Os juros variam bastante”, menciona.

Assim, se de um lado a crise pelo emprego abriu o “filão” no setor, de outro o cliente deve estar atento às taxas de juros. “O preço do dinheiro está muito alto no mercado. Hoje se cobra de 6% a 10% ao mês pelo parcelamento. São esses os juros praticados pelo mercado atualmente”, aponta.

O negócio não está chamando a atenção apenas de despachantes. Muitos bancos já entraram para o sistema. “Os bancos passaram a procurar despachantes para oferecer o contrato direto de parcelamento não faz muito tempo. No meu caso, os bancos me procuraram para saber como eu fazia e se interessaram em entrar no sistema”, assinala.

Trata-se de um produto com boa aceitação. O banco vende o serviço de empréstimo e há do outro lado proprietários que não querem ser privados de rodar com seus veículos. “Para andar com o carro, os impostos e taxas têm que estar em dia. Arriscar e ser multado pode ficar mais caro”, diz Cristina.

O marketing exerce efeito até sobre o sentimento de posse, poder e fascínio em relação a um dos principais objetos de consumo e desejo: o automóvel. “Ninguém gosta de ficar sem o carro, mas IPVA e Dpvat não tem como fugir. Tem que pagar o débito para regularizar o documento. E o risco de ser pego em situação irregular é muito grande”, enfatiza a despachante.

Isso sem contar, é claro, o risco de passar um vexame público. “Um carro pego irregular é guinchado, tem pagamento de taxa de pátio e multa. O prejuízo faz o parcelamento ser compensador. É melhor pagar o juro para o banco. Sem contar o desgaste de ver o carro sendo guinchado. Dá um sentimento de frustração, de invasão”, finaliza.

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