O ramo de prestação de serviço de despachante começa a ganhar fôlego com o oferecimento de parcelamento de débitos em Bauru. No centro da cidade, alguns estabelecimentos já fazem propaganda do serviço. Para representantes do setor, a crise econômica e o arrocho nos salários levaram contribuintes a parcelar dívidas com Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e outras taxas.
A pressão sobre os orçamentos domésticos e o desemprego, vilões da economia por um lado, despontam como fortes aliados do aumento das vendas de serviços entre os despachantes. A crise, aliás, tem forçado usuários de veículos a procurar os despachantes para saldar débitos antes pagos à vista, como licenciamento e transferência.
Mas apesar do novo filão, apenas parte dos estabelecimentos divulgam esse tipo de produto. Não é o caso da proprietária de uma empresa de despachante Vitória, Cristina Fragoso Alves. Ela já colhe frutos do serviço. “Estamos oferecendo o parcelamento com banco de débitos de taxas como licenciamento e transferência de veículos há cerca de dois anos. Eu já parcelava há mais de dez anos, mas era para um número menor de clientes que já estavam acostumadosâ€, cita.
O desaquecimento do setor - provocado sobretudo pela entrada do sistema informatizado (on line) no ramo - gerou a necessidade de buscar de fontes alternativas. “Nos últimos dois anos surgiram bancos interessados em oferecer o parcelamento. O número de opções aumentou para quem tem débito. O despachante viu no negócio uma opçãoâ€, conta.
Mas para ela, o que antes era uma experiência se tornou um chamariz de novos clientes. “Hoje, nós hoje somos intermediários entre o cliente e o banco no parcelamento dos débitos de IPVA, seguro, licenciamentos atrasados, transferência. Isso tudo pode ser parcelado em até 12 vezes, com ou sem entrada. Aqueceu as vendasâ€, avalia.
Outras fontes de parcelamento são o seguro obrigatório (Dpvat) e as multas de solo. Mas no último caso, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) também parcela.
O número de parcelas é de acordo com o período que resta para o licenciamento. Segundo o diretor da Emdurb, Roberto Bil Barbosa, a procura é pequena. “Dependendo da data do licenciamento, pode parcelar em até 12 vezes. A vantagem é que o valor é fixo, não tem juro. Mas a procura ainda é muito pequenaâ€, conta.
No caso da Emdurb, se o usuário não quitar o débito parcelado o veículo tem o licenciamento bloqueado porque o sistema não dá baixa na multa. O valor mínimo para a parcela é de cerca de R$ 30,00. O sistema foi criado por meio de lei municipal.
Com juros
Cristina Alves deixa claro que parcelamento via banco significa financiar. E para emprestar dinheiro de banqueiro, mesmo em quantias pequenas, paga-se juros. â€œÉ claro que têm encargos bancários. Não existe parcelamento sem juros sobre a dívida. Os juros variam bastanteâ€, menciona.
Assim, se de um lado a crise pelo emprego abriu o “filão†no setor, de outro o cliente deve estar atento às taxas de juros. “O preço do dinheiro está muito alto no mercado. Hoje se cobra de 6% a 10% ao mês pelo parcelamento. São esses os juros praticados pelo mercado atualmenteâ€, aponta.
O negócio não está chamando a atenção apenas de despachantes. Muitos bancos já entraram para o sistema. “Os bancos passaram a procurar despachantes para oferecer o contrato direto de parcelamento não faz muito tempo. No meu caso, os bancos me procuraram para saber como eu fazia e se interessaram em entrar no sistemaâ€, assinala.
Trata-se de um produto com boa aceitação. O banco vende o serviço de empréstimo e há do outro lado proprietários que não querem ser privados de rodar com seus veículos. “Para andar com o carro, os impostos e taxas têm que estar em dia. Arriscar e ser multado pode ficar mais caroâ€, diz Cristina.
O marketing exerce efeito até sobre o sentimento de posse, poder e fascínio em relação a um dos principais objetos de consumo e desejo: o automóvel. “Ninguém gosta de ficar sem o carro, mas IPVA e Dpvat não tem como fugir. Tem que pagar o débito para regularizar o documento. E o risco de ser pego em situação irregular é muito grandeâ€, enfatiza a despachante.
Isso sem contar, é claro, o risco de passar um vexame público. “Um carro pego irregular é guinchado, tem pagamento de taxa de pátio e multa. O prejuízo faz o parcelamento ser compensador. É melhor pagar o juro para o banco. Sem contar o desgaste de ver o carro sendo guinchado. Dá um sentimento de frustração, de invasãoâ€, finaliza.