Cultura

Para ver com as mãos

Da Redação
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Com telas inspiradas na percepção tátil de deficientes visuais e abordando técnicas de colagem com materiais, a artista plástica bauruense Rosa Riccó montou a exposição “Perceber sem Ver”, que está aberta para visitação até o dia 18 de março, das 10h às 22h, na galeria “João Ponce Paz” da Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes”, em Bauru. O evento é gratuito e aberto à população.

Utilizando materiais como lixa, veludo, feltro, tecidos de limpeza, além de rendas, contas, borrachas, e gesso, a artista aborda técnicas de colagem e textura, buscando sensibilizar as pessoas a perceber o motivo das telas através das mãos. “A mensagem do trabalho é passar o sentimento pela sensibilidade do tato”, relata.

A exposição exibe sete quadros inspirados em assuntos relacionados às artes. Teatro, música, dança, pintura, além de temas como flores, pássaros e São Francisco de Assis são alguns enfoques.

O trabalho é resultado de uma pesquisa de iniciação científica realizada pela artista, na qual ela se inspirou na percepção tátil dos deficientes físicos. “Eu conheci um deficiente visual que nem sabia o que eram artes plásticas e que nunca havia ouvido falar em artes que pudessem ser tocadas. Como é que se passa a imagem de uma flor para um deficiente? Ele tem que tocar”, conta.

A idéia surgiu quando a artista cursava a faculdade. “Na pesquisa eu levantei materiais táteis e fui pesquisando com eles (deficientes visuais) sobre qual sentimento cada material produzia. A lixa demonstra raiva, coisas chatas, ruins. O veludo, um sentimento de amor, o feltro saudade, a renda tristeza”, lembra Riccó.

O estudo durou um ano e meio e foi patrocinado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O resultado pode ser conferido na exposição itinerante “Perceber sem Ver”, que desde julho de 2000 foi exibida na Universidade do Sagrado Coração (USC), em colégios e algumas cidades da região.

Segundo a artista, a mostra visa atingir principalmente as crianças. â€œÉ uma experiência nova para todos, mas as crianças têm a curiosidade de tocar, de sentir”. Além dos quadros, ela ministra oficinas sobre o tema em escolas infantis.

Alguns deficientes visuais já visitaram a exposição, que de acordo com Riccó, é o primeira trabalho tátil realizado em Bauru. “O problema é que nós que enxergamos, não sentimos as coisas. O cego precisa sentir para entender. Eles precisam ouvir, tocar e têm mais sensibilidade”, diz.

A artista destaca a importância de se apreciar a mostra com os olhos fechados. “A gente precisa tocar. Eu acho que as pessoas têm que ter mais sensibilidade, mesmo que enxerguem”, afirma.

• Serviço

Exposição “Perceber sem Ver” até dia 18 de março, na Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes”, em Bauru. O horário de visitação é a partir das 10h até 22h. Rua Amazonas, 1-41. Informações: (14) 231-1100.

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