Tribuna do Leitor

A crise no mundo e na família


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Sempre se tem dado um sentido negativo ao termo “crise”, crise da fome, crise da miséria, crise das guerras, enfim a palavra não significa necessariamente algo alarmante, mas sim uma atitude perplexa ante as mudanças muito rápidas que vêm acontecendo no mundo moderno das novas tecnologias.

A crise sempre traz a inovação junto com a incerteza, pois pode levar-nos a resultados tanto positivos como negativos, ela nos exige uma constante tomada de posição frente às mudanças que ocorrem a cada instante em nossa vida, no trabalho, no mercado, na convivência diária com nossa sociedade, enfim a crise é sem sombra de dúvida uma crise.

A nossa família, como instituição básica da sociedade, não está nem deve ficar alheia a estas mudanças, é preciso que ela renove sua posição e papel na sociedade. Exemplo disso é que enquanto no mundo dos países em desenvolvimento procuram uma libertação do controle dos países desenvolvidos, visando a cada dia sua autodeterminação, nas famílias os jovens se recusam a aceitar o autoritarismo dos pais procurando afirmar-se como pessoas.

Mas quais são os fatores responsáveis pela crise? O desenvolvimento tecnológico e os meios de comunicação social, pois ambos aceleram as mudanças, a tecnologia erguendo o homem cada vez mais da natureza, e os meios de comunicação pondo os povos mais distantes em contato quase imediato com os fatos ocorridos onde quer que seja, mostrando no mesmo instante a explosão do ônibus Columbia a milhões e milhões de quilômetros da terra, deixando ver os fragmentos e os destroços sendo espalhados por toda parte, incitando a participação de todos, e tornando o mundo, com isso, uma aldeia global, informando o fato no momento imediato do seu acontecimento.

Isto exige uma nova consciência, uma maior autenticidade de nossos atos, exige que se renovem os valores estabelecidos, e que se tenha uma participação atuante nos problemas do mundo.

E quais são estes problemas? A crise se reflete na transformação das sociedades rurais e artesanais em sociedades urbanas e industriais, e no desencadeamento da violência, em virtude da competição e do desajustamento social, do querer levar vantagens em tudo e sobre todos.

Também a nossa família é questionada em seu papel formador da personalidade humana tão questionada em nossos dias, e nos seus valores vigentes, seria ainda a família a instituição mais adequada ao suporte da nossa sociedade?

Mediante estas indagações o homem transforma sua própria consciência, e segundo esta nova consciência, o novo homem renova o estilo familiar.

Esta renovação trará uma nova fundamentação, baseada no amor gratuito, sem receber com a mão esquerda aquilo que a direita doou, e baseada no amor gratuito, na comunidade, no dinamismo e na pessoa humana pois se cada um de nós for uma semente de amor, povoaremos o mundo de paz e alegria, povoaremos o mundo não de sonhos e sorrisos, povoaremos o mundo da solidariedade humana.

Procuremos, pois, transmitir ondas de amor para que os outros possam desfrutar das nossas virtudes, e ter o direito de fazer cópias das nossas atitudes, só assim por muito tempo vamos continuar sendo apenas o original, mesmo que desfigurado. Pois bem, não vamos deixar a crise nos afetar, mesmo que nunca tenhas estudado em uma escola de Comunicação, com certeza tua vida pode se transformar numa grande reportagem modelo, perante a crise que nos cerca diariamente, mesmo que tenhas quarenta, sessenta ou oitenta anos, podes ser jovem de espírito espantando a crise do seu dia-a-dia, basta você querer. (Jaime Prado - RG 9.656.152)

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