Geleiras, glaciares, pingüins, maciços vulcânicos e lagos emoldurados pela neve que tinge de branco a Cordilheira dos Andes. Esta é a paisagem predominante na Patagônia Chilena quando o inverno se instala num dos três destinos mais procurados pelos turistas no Chile.
Mas muito antes da neve cobrir os pastos e fazer as folhas e flores caírem, a Patagônia se mostra bela, diferente e encantadora para quem a visita.
Em março, abril e maio, quando o sol brilha incessantemente, essa área de 800 mil quilômetros quadrados que antes pertencia somente ao Chile (agora a Argentina também tem parte) apresenta-se radiante.
Parques, florestas, campos e vales estão coloridos. A relva verde constrasta-se com o vermelho, o amarelo e tons lilases de flores e árvores nativas (florestas de lenga e coigue, entre outras). Um espetáculo que dura apenas alguns meses e que tem feito muita gente antecipar a viagem à “terra de ninguémâ€.
Ao contrário do termo, a Patagônia não é o “fim do mundoâ€. Na verdade, oferece ao visitante completa infra-estrutura e hotéis refinados como o Salto Chico, do grupo explora (com “e†minúsculo).
Está certo que a viagem é longa, mas vale a pena, no frio ou no calor. A jornada aérea começa em Santiago do Chile e termina em Punta Arenas, aquele pontinho sinalizado no final do mapa do Chile, no Estreito de Magalhães e Canal de Beagle, de onde se avista a Terra do Fogo, lugar cercado de mistérios.
Descendo no Aeroporto de Punta Arenas, moderníssimo por sinal, o visitante segue em veículos com tração nas quatro rodas (Ford Club Wagon) pela também mítica Carretera Austral, construída por Pinochet e inaugurada em 1983. Pinochet tem lá suas controvérsias (nunca fale bem ou mal dele aos chilenos), mas a estrada é excelente.
Ela corta o Sul do Chile de ponta a ponta e é perfeita. Não há sequer um buraquinho ou um caco de telha em seu longo trecho que lembre lugares distantes. A viagem de mais de cinco horas é linda, cortando propriedades rurais repletas de carneiros, guanacos e gado e emolduradas, sempre, pelas imensas montanhas da Cordilheira dos Andes.
O trajeto até o principal parque da Patagônia, o Parque Nacional Torres del Paine, dá direito a uma parada num restaurante típico de beira de estrada. O Ruben. Lugar especial para o viajante faminto devorar sanduíches feitos no capricho, tirar fotos e conhecer habitantes nativos da região.
Por todo trecho, a neve acumulada no pico das montanhas (mesmo no verão) contrasta-se com o azul do céu e com o colorido das plantas, como o alerce, espécie de pinheiro que faz parte dos bosques andinos.
O sol além de dourar o topo da Cordilheira dos Andes, reflete-se nos espelhos d’água dos lagos transformando-se em um espetáculo mesmo a olho nu.