Política

Líderes buscam saída para o PMDB

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O PMDB não morreu, mas passa por uma reorganização de risco que pode levá-lo em definitivo para o precipício. A disputa sem fim entre os cardeais peemedebistas, iniciada no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, refletiu em nível municipal. O quadro, porém, serve de estímulo para as articulações de bastidores que ainda garantem uma sobrevida ao partido.

A partir do momento em que o grupo político do ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB) se afastou do comando da legenda, entrou em cena a família Gasparini, cujo um dos membros, Alex, preside o partido, ao custo do distanciamento de parte dos chamados “históricos”.

Para Gasparini, a situação hoje enfrentada pelo PMDB é “circunstancial”. â€œÉ natural que um partido como o PMDB passe por momentos de inchaço e outros de retenção de novos filiados”, avalia.

Ele acredita que o “tamanho histórico” do PMDB influencia o quadro hoje vivido pelo partido. “Não vejo com nenhuma surpresa e nem com desmérito as mudanças enfrentadas pelo PMDB.”

Integrante da ala quercista, o presidente da executiva municipal peemedebista afirma que a legenda vai disputar a eleição municipal do ano que vem com candidatura própria.

“A oxigenação natural enfrentada pelo PMDB nos últimos cinco anos lhe dará um novo fôlego. Um exemplo claro é Bauru. O fato de estarmos na presidência nada mais é do que o reflexo da renovação. Se o PMDB fosse um partido fadado a sucumbir, os quadros não mudariam”, analisa.

Gasparini vê com naturalidade a liderança do ex-governador Orestes Quércia, a quem culpam pelo racha do partido em terras paulistas. “A maioria dos peemedebistas de São Paulo optou por estar ao lado do Quércia pelo fato dele ter se posicionado contra o governo de FHC”, justifica.

MR-8

Para alguns analistas internos do PMDB, Quércia está refém do Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8, facção que o apóia calcada no seu posicionamento anti-tucano. Algumas “jogadas políticas” realizadas pelo ex-governador magoaram setores peemedebistas que estiveram a seu lado no passado.

Quércia domina o partido em São Paulo, mas a um custo que lhe rendeu inimigos e desafetos. “Não adianta você deter um partido em frangalhos”, opina um peemedebista que prefere ficar no anonimato.

Toda essa situação recheada de dissidências acabou por afastar filiados e militantes que ajudaram a construir o PMDB ao longo dos últimos 20 anos. O ex-presidente da executiva municipal do partido, Fernando Monti, conta que preferiu trilhar o caminho do afastamento da legenda.

Ele não consegue enxergar um possível realinhamento de forças internas. “Acho muito difícil a superação de questões pessoais, a base da condição atual do partido. Se continuar existindo, com certeza o PMDB manterá essa divisões internas e com a falta de identidade.”

Já outro ex-presidente da executiva municipal peemedebista, Luiz Fernando Ribeiro, é mais otimista. Ele acredita que as diferenças pessoais e políticas, em nível municipal, serão aparadas, possibilitando a aglutinação do partido em torno de um projeto com vistas as eleições do ano que vem.

“Essas diferenças de opiniões são perfeitamente superáveis. Não se trata de um processo irreversível. Tenho a convicção que para as eleições municipais essas divergências serão superadas. Afinal, somos todos peemedebistas.”

Ribeiro está convencido de que o partido conseguirá um nome de consenso para emplacar a candidatura de prefeito.

Ele também avalia como uma situação compreensível o quadro de fuga que tomou conta do partido nos últimos anos. “Na realidade, ficam no PMDB aqueles que são peemedebistas de verdade. Como todo partido que cresce na sombra de um governo, o PMDB incorporou pessoas interessadas em participar do governo do que participar do partido.”

O ex-prefeito Tidei de Lima, filiado ao PMDB, foi procurado pela reportagem do Jornal da Cidade para se manifestar sobre o assunto, mas preferiu não emitir opinião.

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'Estou na expectativa'

O vereador Rodrigo Agostinho, único representante do PMDB na Câmara Municipal, diz que está na “expectativa” em relação ao que vai acontecer com o partido. “Essa situação não é só minha, mas de todos aqueles que estão filiados ao PMDB”, avalia.

Mais uma vez, o parlamentar deu sinais de que poderá trocar de legenda. “Dependendo dos rumos que o partido tomar, posso repensar meu posicionamento. Mas, hoje, não tenho motivos para deixar a legenda”, pondera.

Em nível nacional, Agostinho vê uma crise ideológica no PMDB. “O partido não sabe que rumo tomar. Em nível estadual, é uma crise político-administrativa. De um lado, o grupo do deputado federal Michel Temer, e de outro, Orestes Quércia.”

O vereador acha difícil fazer prognósticos, mas acredita que a crise, em nível municipal, deverá ser superada, mesma avaliação do ex-presidente da executiva municipal, Luiz Fernando Ribeiro.

Para ele, o PMDB existe porque está no poder (governo federal) e independe das questões de ordem orgânica da legenda. “Não importa se existe um diretório estadual forte ou um diretório nacional que esteja funcionando de maneira equilibrada.”

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