Regional

Presidente da Apae/Itapuí deixa cargo

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 5 min

Itapuí - O presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Itapuí, vereador Valdir Maia (PSDB), pediu afastamento da direção da entidade, na última terça-feira, depois das denúncias de irregularidades que foram levantadas sobre as contas da instituição, referentes ao ano de 2002. No lugar dele, assumiu temporiariamente a presidência da Apae local o fiseoterapeuta Marcos Augusto Catarin.

As denúncias contra as contas da Apae giram em torno da verba federal, no valor de cerca R$ 30 mil, repassada anualmente para a entidade.

As suspeitas foram levantadas depois que a então gestora municipal da Assistência Social, Michelle Karen de Brunis Ferreira, teria encontrado irregularidades em relação a produtos de alimentação, limpeza e materiais administrativos, que teriam sido adquiridos em grande quantidade e em cidades distantes.

O vereador Maia, que afirma estar há seis anos à frente da presidência da Apae, nega que as contas da instituição apresentem qualquer tipo de irregularidade e afirma que a decisão de afastamento foi tomada com o objetivo de facilitar as investigações sobre o caso. “Pedi afastamento para poder abrir as portas paras as investigações. Porque se existem irregularidades, têm que ser apuradas. Eu me afastei para permitir que tenham liberdade para se apurar todas as coisas dentro da entidade”, assegura.

Caso chega à Câmara

No final do mês passado, com a descoberta do caso, a Câmara Municipal de Itapuí aprovou um requerimento solicitando a prestação de contas da Apae, referentes ao ano de 2002. O requerimento foi apresentado pelo vereador Carlos Thomazella (PMDB). “A partir da prestação de conta, nós, vereadores, vamos ver se pedimos ou não a instalação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI)”, afirma Thomazella.

O requerimento foi aprovado na casa por nove votos a um. Apenas o vereador Valdir Maia votou contrário.

Thomazella afirma que teve a inciativa de levar o problema para a Câmara depois das suspeitas levantadas pela então gestora municipal da Assistência Social Michelle Karen de Brunis Ferreira. Michelle foi destituída do cargo na última terça-feira, depois da explosão do caso. (leia mais na matéria ao lado).

Segundo Thomazella, o afastamento do presidente da Apae soou como uma confirmação de culpa. O vereador acredita que há fortes suspeitas de irregularidades e que por isso o caso deve ser apurado. “A quantidade de coisas comprada lá é incompatível com a estrutura da Apae”, afirma.

Segundo o vereador, o prazo para que a documentação referente às contas de 2002 seja apresentada à Câmara está se esgotando. “O prefeito tem 15 dias para apresentar toda a documentação da Apae para a Câmara a partir de quando ele recebe o protocolo.”

Thomazella afirma que o vereador Maia está tentando criar um clima de comoção, fazendo uso da figura da Apae. “Ele está criando um clima de dó. Ele está falando que com esse escândalo as “criancinhas” vão ficar sem verba. Ele está querendo criar um clima para não se criar uma CEI”, ataca.

Thomazella ressalta ainda que o fato de um vereador ser presidente da Apae merece ser questionado. “Como tem repasse de verba pública para essa entidade, fica questionável o fato de um vereador administrá-la”, acredita.

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Manifestação

Ontem, uma manifestação contra a assistente social Michelle Brunis, que contou com a participação do vereador Valdir Maia e de mães e pais de alunos da Apae, foi realizada em frente à Câmara Municipal da cidade. Os manifestantes teriam protestado pelos prejuízos que as suspeitas levantas pela assistente teriam trazido à entidade.

A assistente foi destituída do cargo de gestora, mas continuava até ontem na presidência do Conselho Municipal da Assistência Social.

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Gestora é destituída

A gestora municipal da Assistência Social, Michelle Karen de Brunis Ferreira, foi destituída do cargo na última terça-feira. Segundo Michelle, a destituição foi anunciada em uma reunião entre o prefeito da cidade e a coordenadora Sônia Marisa Camargo de Almeida Prado, do Escritório Regional de Ação Social (Eras), em Jaú.

Segundo a ex-gestora, as suspeitas de irregularidades na Apae foram levantadas por ela há cerca de 40 dias, devido às notas fiscais de produtos de alimentação e materiais de limpeza e administrativo que teriam sido adquiridos em grande quantidade e em cidades distantes, como Itápolis e Bocaina. “Enquanto eu era gestora, a minha função era orientar e coordenar essa parte das entidades, a prestação de contas, fiscalizar se estavam certas ou não.”

Michelle afirma que antes do caso vir à tona, ela teria solicitado por três vezes uma justificativa dessas despesas, para que a prestação de contas fôsse aprovada. “A gente solicitou que ele (Maia) se justificasse. Nós estávamos tentando resolver isso da melhor forma possível. Mas como o presidente da Apae é vereador, ele foi numa sessão da Câmara colocar que eu não queria aceitar a prestação de contas dele.”

Michelle assegura que, com essa postura, o próprio vereador acabou dando notoriedade ao caso. “Ele achou que colocando isso para a Câmara seria uma forma de me pressionar a aceitar a prestação de contas do jeito que ele quisesse”, afirma.

Do outro lado do caso, o vereador Valdir Maia afirma discordar da destituição da gestora. “Ela usou de má fé. Agora ela não pode sair. Ela tem que apurar. Como o prefeito vem destituir e querer abafar o caso? A Justiça tem que ser feita”, afirma.

Segundo ele, depois das denúncias a entidade foi prejudicada e deixou de receber várias doações da iniciativa privada. “Ela (Michelle) gerou um prejuízo enorme para a entidade. Nós perdemos mais de 50% das doações e contribuições, porque nós perdemos a credibilidade.”

Mudança

O cargo de gestora municipal da Assistência Social foi assumido temporariamente pela vice-prefeita Cleusa Regina de Souza Freita de Nascimento (PTB).

A vice-prefeita classificou a destituição da gestora como uma “necessidade de mudança”. Segundo ela, os desentendimentos entre o vereador Valdir Maia e a ex-gestora Michelle Brunis extrapolou o nível profissional e estava ganhando um caráter pessoal.

A reportagem não conseguiu entrar em contato com o prefeito da cidade, Sylvio de Almeida Prado Rocchi (PSDB), e com a diretora Sônia Marisa Camargo de Almeida Prado, do Escritório Regional de Ação Social, em Jaú (Eras) - entidade que pertence a Secretaria do Estado de Assistência e Desenvolvimento Social.

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