Regional

Polícia apreende arsenal em Garça

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Garça - Uma megaoperação desenvolvida pelas policias Civil e Militar de Garça e Marília resultou na apreensão de uma metralhadora antiaérea, calibre 50, de uso exclusivo do Exército, além da prisão de duas pessoas, entre elas a subtenente reformada da Polícia Militar, Irma Ribeiro de Castro, 54 anos.

A apreensão ocorreu anteontem, em Garça, na fazenda Nova Esperança, que, segundo a polícia, seria de propriedade do traficante Carlos Basílio Ifran Pimenta, preso acusado de participar do furto de mais de 300 quilos de cocaína no Instituo Médico Legal (IML) de Campinas, em 2001. A subtenente seria mulher do traficante.

A operação teve início à tarde, depois que a PM recebeu uma denúncia anônima de que uma caminhonete S-10, placas CNE-0005, de Mogi das Cruzes (SP), estaria chegando à fazenda levando armamento pesado.

Diante da denúncia, sete policiais militares e civis da cidade deslocaram-se até à fazenda e encontraram a subtenente da PM, moradora do local. A S-10 foi encontrada na fazenda, mas sem qualquer tipo de armamento.

Segundo o tenente Fabiano Soares de Mendonça, da 4.ª Companhia da Polícia Militar, que comandou a operação juntamente com o delegado de Garça, Valdir Tramontini, a subtenente se apresentou aos policiais e teria dito que não havia nenhum problema na residência. Em princípio, ela teria apresentado resistência em deixar que os policiais fiscalizassem a área e teria iniciado uma série de ligações telefônicas.

Desconfiados da atitude de Irma Castro, os cerca de sete policiais que estavam na operação acionaram o tenente Mendonça e o delegado Tramontini. Depois do fato, a mulher acabou concordando com a entrada da polícia na residência. Antes, porém, ela assumiu que possuía um revólver calibre 38 e uma espingarda, de sua propriedade.

Em fiscalização pela casa, a polícia encontrou debaixo da cama um pacote pesando aproximadamente 70 quilos, onde estava guardada a metralhadora antiaérea. Além disso, encontrou 991 cartuchos e as duas armas reveladas pela subtenente. Após localizar a metralhora antiaérea, a polícia acionou reforço de policiais civis e militares de Marília. No total, 50 homens participaram da operação.

“Nós acionamos reforço depois de ter descoberto que a subtenente fez várias ligações. Nós não descartávamos a possibilidade de que algum grupo viesse no local para libertá-la e fazer algum tipo de resgate do armamento”, afirma.

A polícia também prendeu na fazenda o sobrinho da subtenente, Willian Castro Costa, 31 anos, procurado em São Paulo por homicídio.

Além das armas, no local foram apreendidos vários aparelhos celulares e quatro tratores da fazenda, que estavam com a numeração adulterada.

A subtenente foi presa em flagrante por porte ilegal de armas e encaminhada para o presídio militar Romão Gomes, em São Paulo. Costa foi levado para uma penitenciária, não divulgada pela polícia. As armas foram encaminhadas a um quartel do Exército, que também está sendo mantido em sigilo.

Equipamento de guerra

Segundo o tenente Mendonça, a metralhadora antiaérea apreendida durante a operação é um equipamento de uso exclusivo do Exército. O tenente afirma que a arma tem um alcance de alta potência e é capaz de perfurar veículos blindados, tanques de guerra e derrubar aviões. “Essa arma só é utilizada em confronto de guerra”, assegura.

Mendonça afirma que o preço da metralhadora estaria avaliado em U$ 15 mil.

Segundo o tenente, essa está sendo considerada uma das maiores apreensões de armamento pesado já realizado na região.

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Crime organizado

A polícia desconfia que a fazenda Nova Esperança, em Garça, pudesse funcionar como uma espécie de central do crime organizado na região. Além do forte armamento encontrado no local, segundo o tenente Mendonça, a própria infra-estrutura da casa teria sido montada para abrigar muitas pessoas. “Nós desconfiamos que integrantes do crime organizado passassem alguns dias no local.”

De acordo com Mendonça, a polícia investiga a possibilidade de que na fazenda estivesse sendo planejada alguma ação criminosa de grande porte na região, como a libertação de detentos de algum presídio. “Nós não sabemos qual ação seria, mas desconfiamos que talvez pudesse ser em presídio. A metralhadora apreendida podia ser utilizada em algo muito grande, como por exemplo para transpor a muralha de um presídio”, afirma.

A polícia também desconfia que o local estaria sendo utilizado como base do traficante Carlos Basílio Ifran Pimenta.

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