Polícia

Mentor de seqüestro é preso no RS

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O acusado de ser mentor intelectual do seqüestro do estudante Danilo Carlos Travain, ocorrido em Bauru no ano passado, e de ter praticado uma série de roubos de veículo, Ivan Martins Alves, conhecido como Gaúcho, foi preso no Rio Grande do Sul (RS). Ele foi trazido para Bauru pelo Grupo Anti-Seqüestro.

O depoimento de Gaúcho confirmou sua participação em cinco roubos de veículos, no seqüestro e em outros três casos a serem apurados. Considerado como marginal de alta periculosidade, ele foi ouvido e encaminhado para a Penitenciária 2 de Pirajuí, onde aguardará julgamento.

O acusado foi preso na cidade de Serebi (RS) no último dia 4 de fevereiro, por tentativa de roubo e seqüestro naquele município. Gaúcho estava com a prisão temporária decretada pela comarca de Bauru, acusado de ser o mentor intelectual do seqüestro do estudante

Segundo o titular do Grupo Anti-Seqüestro de Bauru, delegado J.J. Cardia, a prisão temporária de Gaúcho estava decretada desde dezembro do ano passado. “Ele foi reconhecido pela vítima do seqüestro através de foto. A partir da identificação segura, passamos a produzir provas para o embasamento do inquérito policial”, diz Cardia. Gaúcho se recusou a falar com a equipe de reportagem do Jornal da Cidade.

Seqüestro

O estudante Danilo Carlos Travain, 20 anos, foi levado pelos seqüestradores, no dia 18 de dezembro do ano passado, do estabelecimento comercial de seu pai, no Parque Jaraguá. A vítima passou três dias nas mãos de seqüestradores.

Conforme a polícia apurou, a vítima foi atraída por Gaúcho, que simulou vender um trator. Na rodovia Bauru/Marília, o comparsa do acusado preso sacou um revólver e avisou que era um seqüestro. No mesmo dia, a família foi contatada via telefone por uma pessoa que pediu um resgate de R$ 80 mil para liberar o estudante.

O Grupo Anti-Seqüestro de Bauru passou a monitorar as negociações. Terminada a fase de negociação, os seqüestradores abaixaram o valor do resgate para R$ 50 mil, que deveria ser pago no dia 20. O pagamento seria feito na cidade de São Carlos, onde a vítima seria liberada.

O Grupo Anti-Seqüestro posicionou-se de forma estratégica para a prisão dos seqüestradores na hora da entrega do dinheiro. Porém, prendeu em flagrante apenas Carlos Antônio Guastaldi, Mauro Donizete Guastaldi, Irene Maria Lemos e Samuel de Almeida, que teriam ajudado Gaúcho. A vítima foi liberada ilesa. O pagamento do resgate não chegou a ser feito.

Prisão

Após a prisão do quarteto, a polícia esclareceu que o cativeiro usado pela quadrilha era um chalé na cidade de Ibaté (SP), para onde o estudante foi levado no período noturno, quatro horas depois de ter sido seqüestrado. A vítima contou, na época, que durante a tarde os seqüestradores rodaram com ele por caminhos desconhecidos.

Os presos levaram a polícia aos demais integrantes da quadrilha, que foram presos na semana seguinte em Bauru - Neide Soneca de Barros, André Robson de Andrade, Lucimari André Rodrigues dos Santos e Marcelo Ferreira de Melo. “Eles tiveram a prisão preventiva decretada pela Comarca de Bauru”, explica o delegado J.J. Cardia.

Um dos integrantes do bando preso em Bauru forneceu à polícia a rota de fuga de Gaúcho. “Ele teria fugido com um carro de uma locadora da cidade para o norte ou noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. O pedido de captura e o mandado de prisão foram encaminhados para as possíveis cidades onde ele poderia ser encontrado. Em fevereiro ele foi preso”, conta Cardia.

Gaúcho confirmou para a polícia que seu grupo era especialista em roubo de caminhonetes e caminhões. O carro usado na fuga, um Fiesta, foi localizado na cidade de Coronel Picaço (RS), onde havia sido vendido por R$ 1 mil.

No dia 15 de outubro, eles roubaram uma F-1000 em Bauru com a ajuda de duas mulheres após simular um pedido de carreto e no dia 18 levaram uma F-1000 na rodovia vicinal Lauro Perazoti, em Igaraçu do Tietê. Em 5 de dezembro, roubaram uma F-1000 no posto indígena de Araribá, em Avaí. No dia 2 de janeiro, Gaúcho se apropriou de um Fiesta da C&S Rent a Car.

Outros dois roubos - ocorridos em Agudos, Piratininga e Dourados de duas F-4000 e uma F-1000 - serão alvo de investigações posteriores. De acordo com o depoimento de Gaúcho, as caminhonetes F-1000 foram vendidas por R$ 3 mil e o Fiesta por R$ 1 mil.

Um revólver calibre 38 Taurus foi apreendido com André Robson de Andrade e possivelmente tenha sido usado em alguns dos crimes. A arma que teria sido usada por Gaúcho, um revólver calibre 32, não chegou a ser apreendida.

Ele e as demais pessoas presas acusadas de integrar o grupo foram indiciados por roubo, seqüestro e formação de quadrilha, segundo informações do delegado J.J. Cardia.

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